Comecei a trabalhar na Folha em junho de 1985. O começo foi na ‘‘Folha da Sexta’’, mas logo fui destacado para uma vaga na antiga Sucursal de Apucarana, responsável por 26 municípios da região do Vale do Ivaí. Nesses 13 anos de Folha, testemunhei situações pitorestas e fatos relevantes.
Como o assalto seguido de sequestro na agência do Banco do Brasil em Faxinal, em dezembro de 93. Uma quadrilha assaltou o banco e, antes da fuga, o prédio foi cercado pela polícia. Os assaltantes fizeram mais de 20 reféns entre funcionários e clientes, seguindo-se três dias de cerco e negociações.
Enquanto a polícia induzia os assaltantes ao cansaço com barulhentas operações, jornalistas matavam a fome numa pastelaria bem em frente ao banco e, para passar o tempo, organizaram um jogo de truco. Isso irritou a polícia, que arrumou um caminhão para estacionar na avenida, entre a pastelaria e a agência. Após o desfecho do caso, apurou-se que a quadrilha era formada por cabeleleiros, que enterrados em dívidas, planejaram assaltar o banco.
Outro fato de repercussão nacional foi o cerco e invasão do prédio da Prefeitura de Apucarana por uma tropa do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada do Exército (30ºBIM). No dia 22 de outubro de 1987, o capitão Luiz Fernando Walter de Almeida comandou 50 soldados, armados de fuzis e metralhadoras, e invadiu o prédio para protestar contra os baixos soldos.
Os militares exigiam serem levados à presença do então prefeito, Carlos Scarpelini, mas ele estava em viagem a Curitiba. A tropa foi atendida pelo oficial de gabinete Wilson Kaminski que assustado teve que ouvir um manifesto lido em voz alta pelo capitão. O oficial foi preso e mantido incomunicável. No mesmo dia, o então presidente da República, José Sarney, autorizou um reajuste de 41,38% aos militares.
- MAURÍCIO BORGES é correspondente em Apucarana

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