Lançando mão de um dos mecanismos da lei de incentivo fiscal que protege o patrimônio edificado, no município, a arquiteta Giceli Portela conseguiu restaurar o seu imóvel, um casa projetada pelo ''papa do modernismo'', Vila-Nova Artigas, em 1953. ''Comprei a casa, em 2000, toda destruída. Com a venda do potencial construtivo, cerca de R$ 250 mil, para cinco empresas construtoras, revitalizamos o imóvel, em 2004. Me orgulho do potencial construtivo, ele é bárbaro e inteligente. Fizemos obras lindas com esse mecanismo'', elogia ela, dona de uma empresa especializada em restauros.
O imóvel, batizado de Casa Artigas, funciona como o escritório da arquiteta e ainda como espaço para eventos culturais. ''Eu era conhecedora da legislação, sabia da importância do Artigas, instrumentei o meu projeto e cadastrei a casa como uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP). Daí foi só seguir tudo como manda a lei'', conta. ''Curitiba tem um patrimônio modernista importante que precisa ser divulgado. É preciso fazer campanhas para as pessoas conhecerem o patrimônio e os mecanismos para conservá-lo. Imagine que outras nove casas do Artigas já foram demolidas aqui, só existem agora a minha e outra no Jardim Los Angeles.''
''A minha casa já era tombada pelo Estado, mas nunca recebi nenhum incentivo para restaurá-la, nem um bom dia. Vieram aqui só para criticar e dar palpite nas obras. O Estado quer que você se vire com a manutenção do patrimônio, banque a recuperação do próprio bolso, por isso muita coisa tombada está aí caindo aos pedaços'', critica a arquiteta, acrescentando que ainda tem isenção de 100% do IPTU. ''O decreto municipal funciona, é bem instrumentado e te dá uma alternativa para restaurar o imóvel, porque o potencial construtivo será a fonte pagadora. O que promove o restauro é o aporte financeiro. Ninguém vai demolir aquilo que é incentivado a preservar.''
Mas segundo ela, desde 2005, dois fatores contribuíram para que o potencial construtivo não funcionasse tão bem. Primeiro, a construção civil não vive um bom momento e consequentemente diminuiu a demanda por potencial construtivo no mercado. ''Outro ponto é a concorrência da Prefeitura, que passou a vender o potencial construtivo das Unidades de Interesse Especial de Preservação (Uieps) quase pelo mesmo preço das UIPs. Quando o município iniciou a venda do potencial construtivo do Paço Municipal, cerca de R$ 5 milhões, em 2005, ninguém conseguiu mais vender UIPs no mercado. O decreto precisa de alguns ajustes porque ficamos em desvantagem'', reclama Giceli Portela.

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