A memória é algo que se acumula. Conforme passam os anos, seu conteúdo fica cada vez maior. Quando trata-se de pessoas, esse acervo é imaterial e cabe na cabeça do sujeito, mas quando o objeto dessa história é uma instituição com mais de 130 anos de existência, é impossível que ela não ocupe um bom espaço físico.
  No caso do Clube Concórdia, a memória ocupa uma área de cerca de 250 metros quadrados no sótão do edifício sede, localizado no Centro de Curitiba. Entre tábuas apodrecidas, muita poeira e teias de aranha, repousa um verdadeiro tesouro histórico, encontrado recentemente devido aos projetos para a Casa Cor do ano que vêm, que incluirão o Clube na etapa de restaurações. A Casa Cor é um evento de Arquitetura e Decoração que utiliza um imóvel já existente para expor vários ambientes.
  Antes do convite, pouco se sabia sobre o acervo existente no sótão. Segundo o presidente do Clube, Cláudio Luiz Mader, até dez anos atrás, o local servia como depósito e moradia de um funcionário. ‘‘Quando a Casa Cor previu a visita, nós subimos e começamos a avaliar o que havia lᒒ, conta.
  A princípio, o sótão foi criado para servir como hospedaria para os visitantes. Ao longo do tempo, o Clube passou por momentos de incerteza política durante a segunda Guerra Mundial, quando ficou sob domínio de interventores (leia mais nesta página). Nessa época, muitos dos documentos mais antigos foram perdidos, mas uma parte foi preservada.
  Entre as inúmeras caixas empoeiradas do sótão, encontramos vários livros do século XIX, a maioria na língua alemã, recibos de pagamento de títulos dos sócios, livros-caixa, troféus, canecos da anual festa da cerveja, que começou a ser celebrada no Clube em 1961, uma antiga caixa d‘água de metal, e até uma banheira onde Dom Pedro II supostamente teria se banhado. Segundo Cláudio, quando o imperador esteve em Curitiba, ele chegou a pernoitar na hospedaria do sótão. A opção pelo Concórdia se deveria a uma simpatia pela comunidade germânica do Paraná, visto que a mãe de Pedro II, a imperatriz Leopoldina, tem origem austríaca.
  Em outra sala, grandes retratos mantêm viva a beleza das debutantes da época. Pelas roupas é possível distinguir a qual período elas pertencem, já que os retratos não têm data.
  Mader espera que, em fevereiro de 2008, tenha início a reforma no sotão e que o acervo seja analisado e catalogado por profissionais da área de história ou biblioteconomia. Existem várias caixas de documentos que ainda não foram abertas, o que pode significar mais tesouros históricos à vista.
  Após as reformas e a devida análise do material encontrado, Mader pretende transformar o sótão em um espaço para pesquisa. ‘‘São documentos que valem a pena ficar à disposição dos sócios e moradores de Curitiba’’, diz ele.

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