Novos edifícios, condomínios horizontais em todas as regiões de Londrina e loteamentos que cada vez mais ampliam os limites da zona urbana constituem terreno fértil para a arquitetura. Responsáveis pelo desenho e pela funcionalidade das construções que surgem na cidade, os profissionais da área possuem também a missão de preparar o município para o futuro. Na cidade do amanhã, entretanto, beleza e o uso de tecnologias não bastam. Construídas para serem utilizadas por décadas e até mesmo séculos, as edificações atuais precisam vencer o desafio da sustentabilidade.
  A dupla de jovens arquitetos Lucas Raffo e Fabrício Roncca destaca-se pela utilização de medidas ecologicamente corretas em projetos. Adeptos do aproveitamento da água da chuva, da iluminação natural e da substituição dos equipamentos de ar-condicionado por soluções inteligentes de ventilação, entre outros exemplos possíveis, eles projetaram uma casa que foi finalista no prêmio Planeta Casa, da editora Abril, na edição do ano passado.
  A residência foi construída a partir de ações que consideram básicas para qualquer obra. Aproveitamento da água da chuva, aquecimento solar, posicionamento correto para evitar insolação exagerada, uso de tijolos duplos para garantir maior conforto térmico, ventilação cruzada e a manutenção de um espaço entre a laje a a cobertura - por onde circula o ar - são as principais iniciativas para garantir a sustentabilidade da casa.
  Como conseqüência, a residência não utiliza qualquer iluminação artificial durante o dia e ainda dispensa o uso de ar-condicionado. ‘‘Quando começou a construir, o homem observava melhor a natureza. Hoje em dia, a arquitetura privilegia a estética e esquece a funcionalidade’’, criticou Raffo, que é formado pela Unifil e especialista em integração de energias renováveis e arquitetura pela Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), na Espanha.
  De acordo com os arquitetos, na América Latina 30% a 40% do gasto energético é referente ao aquecimento ou resfriamento de ambientes e iluminação de edifícios. Esse volume poderia ser reduzido se a arquitetura investisse em soluções mais eficientes e menos presas aos rótulos que balizam o mercado ‘‘ecologicamente correto’’.
  ‘‘O ar-condicionado é o remédio dos edifícios enfermos’’, provocou Roncca, que é formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e especializado em arquitetura e pós-modernidade e gestão de design. Para ele, modismos como as extensas paredes de vidro que cobrem alguns edifícios de Londrina transformam os empreendimentos em ‘‘estufas’’ e são exemplo do uso equivocado do material que, quando bem utilizado, favorece a iluminação natural e ganha o rótulo de ecológico. ‘‘Ninguém vai à praia de guarda-sol transparente’’, pontuou.
  Apesar de reconhecidos como defensores da sustentabilidade, os arquitetos não querem ser encarados como referência na área. ‘‘Queremos que esses conceitos sejam aplicados por cada vez mais profissionais, em nome das gerações futuras’’, disseram.

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