Nos últimos anos, os condomínios de pequenas chácaras na represa Capivara, Norte do Estado, apareceram aos montes. Às margens das PR-090 e PR-437, placas indicam os últimos lançamentos imobiliários. O preço de ''um pedaço de terra na beira da água'', como o pessoal da região costuma dizer, está cada dia mais valorizado. Um proprietário de uma área visitada pela FOLHA, em Primeiro de Maio, comprou o seu meio alqueire de terra, em 1994, por R$ 24 mil. Ano passado, ele recebeu ofertas de R$ 350 mil pela propriedade.
No condomínio Porto das Águas, entre Porecatu e Alvorada do Sul, o metro quadrado sai por a partir de R$ 28,50. Inaugurado em 2000, com 400 lotes, apenas 80 estão disponíveis. Segundo o presidente do condomínio, Francisco Vildissimar, os proprietários do condomínio vêm de cidades num raio de 300 km de distância da represa em em busca de sossego e conforto. A maioria das casas são de alto padrão.
''Sou de Osasco (SP). Fiquei algum tempo procurando um condomínio de lazer. Fui em vários lugares, mas quando encontrei essa represa fiquei encantado. Para você ter uma idéia, mandamos fazer uma análise da água e a constatação foi de que ela é boa até para consumo'', relata Vildissimar, que colocou uma plaquinha com a inscrição ''oásis'' em frente a sua propriedade.
Na beira das rodovias há também muitos vendedores de iscas. Os pescadores estão em todos os cantos da represa. Não para menos. Segundo o gerente-adjunto de meio ambiente da Duke, Rodolfo Sivol, Capivara é o reservatório mais piscoso do Paranapanema. Ao todo, o rio possui 155 espécies identificadas.
De acordo com Sivol, para manter a qualidade dos peixes ao longo do rio, 1,5 milhão de alevinos são soltos por ano. ''São espécies nativas, com característica de reservatório'', ressalta.
Sobre os peixes exóticos que vivem nos reservatórios do Paranapanema, Sivol explica que muitos, como o Tucunaré, foram parar nas represas levados pelas enchentes depois de rompimentos de tanques de criadores que atuam na região.
Já a Corvina, encontrada com certa facilidade em Capivara, foi solta por pessoas que queriam incrementar a pesca na área. A espécie que vive na bacia do Paranapanema não foi trazida diretamente do mar, como diz o imaginário popular. ''A que temos por aqui é prima-irmã da marítima'', diz Sivol. Então, pescadores, não adianta jogar sal na água para atrair a Corvina, como muitos fazem.
''É importante dizer que o valor intrínseco de um peixe é muito alto para que ele vá à frigideira. Peço aos pescadores que pratiquem a pesca esportiva, devolvendo (ao rio) as espécies nativas. As exóticas, como a Corvina e o Tucunaré, podem ser retiradas. Vale lembrar que temos 219 pescadores profissionais em Capivara, que retiram 500 toneladas por ano de peixes do lago. Não dá nem para calcular o quanto os amadores tiram'', destaca Sivol.
O professor Mário Orsi, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Unifil, doutor em ecologia de peixes, fez um grande estudo sobre as espécies do Capivara. ''Há 14 anos, antes da entrada dos exóticos, a situação era bem diferente. Depois da entrada dessas espécies, houve uma diminuição drástica das nativas de pequeno porte. Tornou-se uma situação delicada. Tudo indica que algumas espécies vão desaparecer, entre elas o lambari'', lamenta o professor.
Sobre os inúmeros tanques-rede que estão surgindo em Capivara, Orsi tem uma posição clara. ''Eles vão dar problemas para o reservatório como o da Corvina e do Tucunaré, pois acontece de os peixes escaparem. Não sou contra a Tilápia, que é o tipo que está sendo criado nesses tanques, mas sou contra o local escolhido. Capivara não é adequado do ponto de vista ecológico''. (W.S.)

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