Os anos 90 são marcados por uma intensa disputa agrária no Paraná. Governo, fazendeiros e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) protagonizam os embates no campo e na cidade.
Em 10 anos, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Igreja Católica, conta 30 mortes de camponeses no Paraná, 50 tentativas de assassinato, 71 ameaças de morte, 21 casos de sequestro, 104 denúncias de tortura e 541 prisões.
O Governo do Estado também rebate com números. Em cinco anos, a atual gestão garante ter feito 82% de tudo o que se promoveu desde o início do processo de reforma agrária no Estado há 14 anos.
Em 1993, três policiais militares morrem em confronto com famílias acampadas na fazenda Santana, em Campo Bonito, no Oeste do Estado. O líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o ‘‘Teixeirinha’’, é procurado e aparece morto.
A polícia sustenta que Teixeirinha resistiu à prisão durante um tiroteio. O MST acusa a PM de assassinato para vingar as mortes dos policiais. Em 1997, os sem-terra organizam uma série de invasões na região Noroeste do Paraná.
Os fazendeiros criam milícias para proteger as propriedades. Eles acusam o Governo do Estado de não impedir as ocupações. Os sem-terra denunciam que os seguranças estão envolvidos em casos de ameaças e execuções de lideranças.
Em 1999, os governos federal e estadual firmam parceria para conduzir o processo de reforma agrária. Mas os conflitos continuam. O governo paranaense promove uma megaoperação para desocupar fazendas.
Durante 60 dias, os sem-terra são expulsos de 14 áreas e centenas acabam presos. Em resposta, o MST acampa por quase seis meses na Praça Nossa Senhora de Salete, na capital do Estado, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo.
Em 2000, o assentado Antônio Tavares Pereira, militante do MST, é atingido por um tiro de carabina disparado por um policial militar durante confronto na BR-277, na região de Curitiba.
A Polícia Federal abre inquérito para apurar denúncias de desvios de verbas do governo federal destinados à reforma agrária no Estado. O MST é acusado pelo Incra de cobrar ‘‘pedágio’’ dos assentados para liberar os créditos agrícolas. A coordenação do movimento reage dizendo que os assentados pagam contribuições espontâneas. Em dezembro, depois de um período de troca de acusações, sem-terra e Incra retomam as negociações sobre novos assentamentos no Estado.

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