A cada edição da Oficina de Música de Curitiba, um estilo de música ou período musical se destaca como a grande vitrine da feira de sons. Em outros anos pode ter sido música antiga, erudita ou MPB. Em 2009, o transe da música eletrônica parece ter hipnotizado as pessoas. Vide a procura de alunos, reportagens na imprensa e interesse gerado em cima das batidas secas e repetitivas do estilo.
Encerrada na semana passada, a Oficina de Música Eletrônica é só a ponta desse iceberg sintético que se espalha cada vez mais por Curitiba. Se muita gente acha que a noite curitibana não é tão animada, não falta quem estude ou procure cada vez mais instrução para se tornar um DJ ou produtor de música eletrônica. Quais motivos levam um gênero antes restrito a ravers, cybermanos, antenados e modernos em geral a chamar atenção de gente de todas as idades e classes sociais? O que leva tanta gente a querer ser - e ser - DJ?
Para Claudinho Brasil, DJ e produtor, um motivo principal pode explicar o boom da procura pela carreira de DJ ou produtor de música eletrônica. Para ele, existe uma espécie de fetiche em cima da atividade - o da diversão sem limites -, que substitui o trinômio setentista do ''sexo, drogas e rock'n'roll'' por um atualizado ''balada, ecstasy e psy trance''.
''Tem um pouco de ilusão em querer ser DJ. Muita gente busca a música depois de ver o DJ conduzindo uma multidão se divertindo e quer fazer o mesmo. Há uma sedução por essa busca do prazer a qualquer preço'', diz Claudinho. Para o DJ, muitos jovens buscam a atividade por puro hedonismo. ''Os jovens querem ser o guia do prazer, que é o que o DJ faz'', comenta.
Ilan Kriger, DJ, produtor e sócio fundador de uma escola de música eletrônica em Curitiba, diz que o fato do profissional fazer seu horário, ser o próprio patrão e trabalhar com entretenimento atrai muita gente. ''Hoje, quem quer ser DJ tem que gostar muito de música, saber mexer bem na internet, gostar de se sociabilizar, sair na noite e conhecer muita gente'', aconselha Kriger, definindo também o perfil de quem procura as aulas.
Na visão de Claudinho Brasil, dois grupos principais de pessoas querem aprender a técnica das pick-ups. O menor diz respeito a músicos profissionais que, para o DJ, ''cansou da mesmice e quer procurar coisas novas''. O perfil da maioria, Claudinho define como sendo do jovem que vai a uma rave e se encanta com o que vê. ''Ele vai lá, vê o DJ conduzindo a multidão e pensa: 'Quero estar ali, quero ser aquele cara''', explica.
Ainda assim, o aparente glamour do animador solitário de multidões dançando transe não é o principal motivo pelo qual tanta gente procura escolas e oficinas de música eletrônica. É o que diz Kriger. Para ele, o fácil acesso à tecnologia e à música define os novos rumos do gênero, fazendo com que cada vez mais pessoas desejem manipular a música.
A democratização da tecnologia abriu espaço para esta inversão de valores. ''Há nove anos, quando decidi me tornar DJ, era preciso pelo menos R$ 3 mil para comprar os discos de vinil. Fiz curso na Inglaterra. Hoje existem mais escolas no Brasil. E há o MP3. Essa é a principal mudança'', compara. ''A música eletrônica é filha da tecnologia'', emenda Claudinho Brasil.
''Sempre pergunto para meus alunos se eles estão comprando mais CDs. Eles dizem que não, mas estão ouvindo mais música. O MP3 trouxe de volta o prazer das pessoas ouvirem música'', continua Kriger. Nos novos tempos, se as pessoas ouvem cada vez mais canções, isso faz com que acreditem que também podem produzir essa música. E podem. ''Existem muitas possibilidades dentro da vida digital e o DJ está incluso nisso. Hoje, qualquer um com um computador, dentro de casa, pode fazer música'', diz Kriger, no melhor estilo ''Faça você mesmo''.

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