Brincando, um adolescente de 16 anos resolve criar uma comunidade, no site de relacionamentos Orkut com o seguinte título: ‘‘Saudades do Aritana’’. Poderia ser uma comunidade comum, se o personagem citado pelo menor, não fosse Gilson Ramos da Silva, traficante morto durante um suposto confronto com policiais no Rio de Janeiro. Autuado pelo ato infracional de contribuir para difundir o tráfico de drogas, o adolescente disse ter feito a homenagem por brincadeira, apór ver a notícia da morte de Aritana no jornal.
Casos como este e diversos outros, envolvendo cada vez mais adolescentes que se arriscam na Internet expondo imagens pessoais, divulgando informações perigosas, caluniosas, ou pregando o racismo, têm sido frequentes no Brasil. É por isso que a advogada, especializada em Direito das Novas Tecnologias, Carolina de Aguiar Teixeira Mendes, alerta quanto a importância de educar os jovens para essa nova era em que vivemos, a era da tecnologia da informação.
‘‘A tecnologia está aí, ela não é um mal. É como uma faca, um instrumento neutro que pode ser utilizado para fazer uma linda escultura ou para matar uma pessoa. Os pais e os filhos devem estar abertos para as novidades, temos que nos adaptar. Não podemos simplesmente aceitar tudo
o que está sendo exposto por a풒, disse.
Exposições perigosas e crimes são freqüentemente cometidos pela Internet, por meio do Orkut ou sites pessoais. Estes casos foram expostos pela advogada na palestra ‘‘Educação Digital - Cuidados na Internet’’, promovida pelo Colégio Universitário na última quarta-feira.
Sem deixar de lado os benefícios que a Internet pode proporcionar aos jovens, como o aumento da capacidade de leitura, realização de trabalhos, entre outros recursos educativos, a advogada salienta que é importante que os pais passem a controlar ou pelo menos saber o que o filho têm buscado ou divulgado na Internet. ‘‘O computador tem que ficar num lugar central da casa, num espaço onde todos passam, todos podem ter acesso. Alguns serviços disponibilizados pelo próprio Windows, conhecidos como filtros, também podem ajudar os pais a rastrear as atividades on line de seus
filhos’’, comenta.
Crimes na Internet não têm lugar nem hora para acontecer. Muitos como a pirataria por exemplo, são cometidos diariamente por milhares de pessoas que baixam e transferem músicas por meio de sites especializados. Salas de bate-papo, blogs, fotologs, páginas pessoais e sites de relacionamentos – como o Orkut que já detém 71% de usuários brasileiros – servem de alvos para aqueles que buscam prejudicar ou denegrir a
imagem de alguém.
A explosão da popularidade do Orkut no Brasil tem registrado problemas sérios de distribuição de pornografia infantil, drogas e crimes contra os direitos humanos. Outro exemplo apontado pela advogada, foi o recente caso de cinco jovens de classe média que foram condenados à prisão pela Justiça de Niterói (RJ), no mês passado, por usar o Orkut para oferecer ecstasy a moradores de Niterói e do Rio.
‘‘A justiça brasileira não está parada. O Ministério Público Federal (MPF) está agindo para descobrir quem são as pessoas que disponibilizam coisas absurdas na Internet como a xenofobia, o racismo, a pornografia. O MPF não quer acabar com o Orkut, ele quer promover a cooperação da Google (empresa proprietária do Orkut) em identificar as informações’’, explica.

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