Construído para ser apenas um ponto de chegada e partida, de eterna transição de ônibus e passageiros, o Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina consolidou uma marca permanente na cidade, síntese de todas as gentes, de todos os bairros, que em algum momento precisam passar por ali. Sua inauguração, no dia 13 de novembro de 1988, mudou radicalmente a imagem e a dinâmica do centro londrinense, fazendo do quadrilátero das ruas João Cândido, São Paulo, Benjamin Constant e via Leste-Oeste o local de maior desfile diário de cidadãos na região metropolitana.
Hoje, transitam diariamente pelo Terminal entre 125 mil e 150 mil pessoas, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''O Terminal se tornou o grande ponto de referência em Londrina. Além de ter representado o maior benefício para o transporte coletivo na cidade, tornou-se ponto de manifestações que antes eram realizadas em locais como a Concha Acústica'', sublinha Osvaldo Ferreira de Abreu, 56 anos, chefe de Tráfego da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) ex-Viação Urbana Londrinense por 28 anos, de 1969 a 1997.
Ele atravessou as décadas em que o que havia de mais parecido com um terminal em Londrina era o Bosque, também no Centro, que se manteve como parada dos coletivos até 1988.
A paisagem urbana foi tão marcada pelo Terminal que as imagens do entorno de seu terreno antes de 1987, quando começou a ser construído, são quase irreconhecíveis. A área, que outrora havia servido como pátio da ferroviária de Londrina, permaneceu vazia nos anos que antecederam a obra. O empresário Junker Grassiotto, 59, que ocupou o cargo de secretário municipal de Obras durante a gestão do prefeito Wilson Moreira (1983-1988), lembra que o Terminal foi erguido rapidamente.
''Escolheu-se um local que fosse o mais perto possível do Centro, em uma área viável. Sabíamos que era um terreno pequeno, mas tinha a vantagem de ser extremamente bem localizado'', conta. Com dois pavimentos, o Terminal ocupou aproximadamente 15 mil metros de área construída.
Segundo Grassiotto, a obra nasceu de discussões sobre como tornar o transporte coletivo ''menos injusto''. ''Com o transporte desintegrado, as pessoas mais pobres, que moravam mais longe, eram justamente as que pagavam mais caro. Integrando o transporte, podíamos fazer com que todo mundo pagasse a mesma passagem''. A implantação do Terminal possibilitou a transição das linhas de ônibus do sistema diametral ligando um bairro a outro para o radial, em que o transporte passou a ser feito dos bairros para o Centro e vice-versa.
Além de ser palco de grandes conflitos relacionados ao valor das tarifas, nos últimos 16 anos o Terminal virou notícia também por problemas internos. Em meio aos transtornos do primeiro dia de funcionamento em 20 de novembro, uma semana após a inauguração o diretor da TCGL, Manoel Lopes, levou dois murros de um policial militar, que teria tentado sair do Terminal pelo acesso dos ônibus. No mesmo dia, o piso do pavimento superior cedeu. Várias outras falhas na estrutura física do local vieram à tona nos meses seguintes, exigindo reformas constantes.
Em março deste ano, os usuários assistiram à queda de braço entre a CMTU e os comerciantes que mantinham lojas no pavimento inferior do Terminal. Foram vários dias de brigas, ao vivo e na Justiça, até que a companhia conseguisse extinguir todo o comércio no local, alegando irregularidades no concessão dos espaços. As lojas acabaram dando lugar a escadas rolantes, o que dividiu a opinião dos usuários.
Grassiotto recorda que a concepção do Terminal não incluía o comércio. ''A instalação de lojas nunca foi o objetivo, até porque o espaço era reduzido. A intenção era que o passageiro descesse do ônibus e já seguisse o seu destino, sem gastar muito tempo no Terminal''.

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