''O corpo tem duas linguagens: ou dói ou não dói. Se dói é porque tem alguma coisa errada''. É dessa forma simples que o terapeuta corporal Iukio Onishe, 42 anos, define a técnica criada por ele há seis anos e que foi batizada de massagem tira-dor. Formado em administração de empresas, Onishe, que se considera londrinense, teve contato com a terapia corporal no Japão, em 1992, quando foi trabalhar em uma indústria de plástico. O trabalho pesado acabou ''travando'' a coluna. Resultado: passou uma semana sem poder se movimentar por causa da dor.
Foi nessa ocasião que contou com a ajuda de uma vizinha, especialista em quiropraxia, técnica que utiliza manobras corporais, e que lhe recomendou alongamentos que auxiliaram a recuperar os movimentos. Do sentimento de gratidão, veio o desejo de ajudar as pessoas a se livrarem das dores. De volta ao Brasil, em 1997, Iukio começou a fazer cursos sobre as técnicas orientais que poderiam ajudá-lo na terapia corporal, entre eles o de shiatsu e do-in, e iniciou o trabalho em conjunto com sua esposa Fellícia, 40 anos.
''Durante atendimento domiciliar, notei que não era só um lugar do corpo das pessoas que doía, mas quase todo o corpo. O meu desespero em aliviar as dores dos pacientes era tanto, que sempre analisava mentalmente de que forma executaria a massagem'', relata no livro, lançado em 2002, um guia que foi editado por sugestão das pessoas atendidas pelo casal.
Inconformado por não encontrar uma forma rápida e eficaz de acabar com as dores principalmente na região cervical o terapeuta decidiu recorrer à criatividade. ''Eu me programei para encontrar essa solução. E foi durante o sono que vi o ponto que deveria ser massageado para acabar com as dores nos ombros e pescoço'', conta. O resultado é quase imediato: em poucos minutos de fricção no braço, usando os artelhos dos dedos, nervos e músculos da região cervical são liberadas.
A partir dessa ''resposta'', Onishe foi em busca de outros locais que pudessem ter efeitos imediatos. Durante o banho, encontrou o ponto exato e o movimento adequado para liberar a região lombar. ''Muitas senhoras de idade ficam sentadas fazendo crochê e quando se levantam quase não conseguem ficar eretas por causa da dor'', exemplifica. Ele ensina: ''É só se sentar na beira de uma cadeira esticar a perna e dobrar o pé em L para a parte interna. Depois, friccionar o lado de fora da coxa com a base de um vidro retangular, num movimento de vai-e-vem''.
O terapeuta coleciona macetes para socorrer o corpo, entre eles o uso de socadores de alho para liberar o nervo ciático; utilizar o batente das portas para massagear os braços, aliviando a cervical, e a colocação de separadores de dedos dos pés utensílio de pedicures para tornar o corpo mais leve. Onishe explica que, conforme a medicina oriental, a abertura dos dedos dos pés permite a entrada de energia.
Também aconselha a friccionar a base do crânio, por onde circulam artérias que irrigam a cabeça, usando o lado oposto do pente. ''As pessoas costumam dormir de bruços e, ao manter a cabeça virada, o sangue não circula. O resultado no dia seguinte: dor de cabeça, olhos embaçados, tonturas, dificuldades para suportar sons elevados, enumera Onishe. Ao massagear a base do crânio, a pessoa ajuda a ativar a circulação sanguínea.
Além de desbloquear pontos tensionados e os gânglios que se formam perto das axilas e da parte pubiana, o terapeuta recomenda exercícios para irrigar os membros e para ativar órgãos internos através de massagens feitas pelo própria pessoa. O objeto recomendado nesse caso é o cabo de uma vassoura. ''Marche sobre o cabo, indo dos dedos para o calcanhar e depois volte. Pise até sentir alívio dos pés e do corpo. O indicado é de de 50 a 100 vezes nos primeiros dias'', orienta Onishe.
De acordo com o terapeuta, ao pressionar o pé a pessoa ''liga'' uma máquina poderosa, que são as enzimas que controlam as funções vitais e desencadeiam vitaminas para o corpo. ''Além de estimular uma minifarmácia, chamada autofármaco'', diz.
Como parte da clientela atendida pelo terapeuta é formada também por personalidades que se hospedam em hotéis da cidade, e que se sentem constrangidas em ter que pedir uma vassoura para a massagem, Onishe acabou criando o ativador corporal feito de madeira. ''Me sinto rico e alegre por poder passar esse conhecimento às pessoas e ajudá-las a se livrar da dor'', diz. Ele observa que basta uma sessão, que dura cerca de uma hora e meia, para fazer jus ao nome ''tira dor''. O cliente aprende os pontos e a maneira como devem ser manipulados, o alongamento adequado e recebe orientação alimentar.
O repórter fotográfico da Folha, César Augusto, que há mais de um ano não conseguia esticar o braço direito, resultado do peso dos equipamentos que carrega, teve os nervos desbloqueados em poucos minutos. ''Eu não acredito... Estava até triste com tanta dor. Olha só!'', comentou surpreso.
Onishe, que costuma transmitir conhecimentos e compartilhar experiências, conta que a imagem mais marcante da dor foi registrada aos 8 anos de idade. Ele observava a mãe tentando retirar uma raiz do solo. ''Ela tentou se levantar e eu pude ouvir o estalo e o grito. Meu pai veio socorrê-la e ela teve que fazer cirurgia e passou dores horríveis'', lembra. ''Graças a Deus, anos depois, pude ajudá-la a se livrar das dores''.

Serviço: Iukio e Fellícia Onishe dão palestra para grupos de terceira idade e cursos para formação de terapeuta corporal. Os telefones de contato são (43) 3338-3703- 3326-8776 e 9995-2406.

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