Mais eficiente e barato. Esta é a opinião da secretária de Saúde de Cambé, Djamedes Maria Garrido, sobre o uso da geoterapia no tratamento de ferimentos comuns e crônicos, em comparação à prática de rotina. Há dois anos, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade têm usado um tipo específico de argila - a dolomita - para tratar pacientes.
  Extraída de rochas, a dolomita é indicada para tratamento de úlceras dos membros inferiores, em especial as de cicatrização demorada. Estes ferimentos surgem em decorrência de enfermidades como diabetes e erisipela, entre outras. De acordo com a secretária e clínica-geral Djamedes, o uso da técnica tem atingido ‘‘resultados satisfatórios’’, pois ‘‘reduz o tempo de cicatrização em até 30%’’.
  O custo do tratamento com dolomita também é inferior ao de rotina, com utilização de ácidos graxos essenciais. Um quilo de dolomita custa R$ 55,00 e é suficiente para tratar 40 pacientes com ferimentos grandes. Já um frasco de 200 ml de ácidos graxos essenciais é comprado por R$ 35,00 e pode ser usado para tratamento de 20 paciente com o mesmo tipo de ferimento.
  O uso da dolomita foi implantado em Cambé pela enfermeira naturalista Dagmar Érica Lachner, que não atua mais na cidade. Especializada em terapias alternativas, ela sugeriu a o uso da técnica, adotada somente com consentimento do médico e do paciente. As enfermeiras passaram por treinamento para a utilização da dolomita, que é comprada de fornecedores de Minas Gerais, onde o material é encontrado em abundância.
  Anteriormente, a técnica era utilizada pelos agentes da Pastoral da Saúde. A sugestão não tem encontrado resistência dos pacientes. Além de não ter contra-indicação, o tratamento apresenta resultados em casos nos quais o tratamento de rotina é ineficiente.
  A geoterapia, que significa a ciência do uso da terra como técnica teurapêutica da medicina natural, é antiga. Conhecido desde os escritos de Aristóteles (384-322 a.C.), o tratamento com diferentes tipos de argila é utilizado com freqüência em clínicas naturalistas. Para aplicação, o pó de dolomita é diluído em soro fisiológico e colocado diretamente sobre o ferimento. A troca do curativo pode ser feita em casa. Neste caso, o soro pode ser substituído por água filtrada ou fervida. Segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 75% da população de Cambé é atendida pelo programa de Saúde da Família. Os pacientes ou familiares recebem em casa acompanhamento e orientação constantes. Nas 13 unidades de saúde da cidade, pelo menos um paciente recebeu tratamento com dolomita.
  De acordo com a secretária Djamedes, o uso da técnica alternativa poderá aumentar se houver ‘‘bons resultados e satisfação dos pacientes’’. ‘‘Nenhum tipo de medicina alternativa pode ser imposto pelo serviço público de saúde’’, ressaltou.
  O vigilante bancário aposentado José Gâmbaro Filho, 63 anos, é um dos beneficiados pelo uso da nova técnica. Diabético, o morador do Jardim Santa Izabel sofre há anos as conseqüências da doença. Em outubro, ele passou por cirurgia de amputação de parte do pé direito, por causa de feridas causadas pela doença.
  ’’O tratamento foi bom. Para mim, valeu por tudo. Se não fosse o tratamento, a infecçção poderia aumentar e ter de amputar a perna toda’’, disse. Gâmbaro, no entanto, admite que não pode ser considerado um paciente modelo. ’’De vez em quando, uma paçoquinha ou doce de leite não faz tão mal‘‘, declarou.

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