Terapeuta sexual aborda a falta de informação
O ginecologista e terapeuta sexual em Londrina, Calvino Fernandes, considera que a falta de informação e a informação distorcida em relação ao sexo são os motivos que mais prejudicam os relacionamentos. ''A informação é só um passo inicial em todo o processo chamado educação''. O terapeuta acredita que a educação sexual no Brasil ainda é muito pobre e acaba influenciando de forma negativa no comportamento sexual das pessoas.
''O adolescente nunca esteve tão despreparado emocionalmente para exercer a atividade sexual''. Do ponto de vista cognitivo, segundo Calvino, eles têm mais informação. ''Já do ponto de vista emocional, os adolescentes estão com menos limite, menos desejo, o que dificulta o bom desempenho sexual''. O motivo, segundo Calvino, é a grande exposição do corpo, a banalização nas relações. ''Não existe mais o curso normal da sexualidade. Tudo hoje é muito fácil''.
O terapeuta afirma que os pais e os professores são os grandes educadores dos jovens. ''Por isso é preciso um diálogo aberto na família e a capacitação de professores para atender a necessidade de orientação aos adolescentes, tanto em casa como nas escolas'', diz.
Para que haja maior integração o acompanhamento dos pais deve ser feito mais de perto. ''Refletir sobre sua própria sexualidade, repensar relacionamentos, abir um canal de comunicação com os filhos, é fundamental para que os problemas sejam superados'', afirma.
Do ponto de vista escolar, é preciso preparar melhor os educadores sexuais. No consultório são muitas as queixas de garotas sem orgasmo e de garotos sem desejo, problemas que podem ser refletidos futuramente, numa relação mais duradoura. ''O segredo para um bom relacionamento é a intimidade''.
Apesar de considerar o livro uma boa fonte de informação com dados gerais sobre a sexualidade do brasileiro, o terapeuta discorda de alguns números divulgados na pesquisa da psiquiatra Carmita Abdo, quando os questionamentos dizem respeito às preliminares e a penetração vaginal.
O livro relata que mais da metade das mulheres que responderam a pesquisa não desejaria prolongar as preliminares e que um quinto delas acha que elas costumam ser longas. ''Acho que esses números não condizem com a verdade. A falta de preliminares é a maior queixa das mulheres no consultório''.
Em relação à penetração vaginal, o terapeuta acredita que não apenas 78% dos homens se preocupam com a penetração, mas um número bem maior. No caso das mulheres, o livro revela que a penetração é importante para 80% delas. Calvino acredita que esse número deva ser a metade. ''Tudo depende da situação que essas pessoas vivem a relação, se apresentam algum tipo de disfunção, como falta de ereção do parceiro por exemplo''. (M.O)





