O famoso ditado popular "a esperança é a última que morre" já ajudou muita gente. Os livros de auto-ajuda estão repletos de casos de pessoas que persistiram até atingir determinado objetivo. Palestras motivacionais pregam o mesmo ideal: tentar até conseguir. No dia-a-dia, sempre nos deparamos com barreiras nem sempre fáceis de serem ultrapassadas. Nestes casos, a persistência realmente pode ser a saída. A FOLHA entrevistou pessoas que se sentiram desafiadas em conseguir atingir o sonho ou meta. Outros ainda não conseguiram, mas seguem na disputa.
Um dos testes que tira o sono de muita gente é o do Detran. Alguns dizem que os instrutores costumam não perdoar os erros cometidos pelos candidatos. Liberar a carteira de motorista para alguém não preparado significa risco de acidente em ruas e estradas. A administradora Juliana Aires não tinha carro na época em que fez o teste. Após as aulas na autoescola, foi confiante, mas muito nervosa realizar a avaliação prática. Não passou. Depois de mais algumas aulas fez uma nova tentativa, também sem sucesso. "Eram erros pequenos, mas, na contagem dos pontos, me colocavam como não apta para ter a carteira", explica.
Na quinta vez que realizou o teste não passou pois, quando parou para ver se vinha um carro na preferencial, "entrou bruscamente na rua", segundo o instrutor mesmo disse. Na sexta tentativa, Juliana já era praticamente uma motorista profissional, mas sem autorização para dirigir nas ruas. Desta vez não estava tão nervosa e ficou atenta a todos os detalhes. Quando parou para esperar um carro que vinha pela preferencial, o avaliador disse: "você poderia ter ido, não precisa esperar o mundo passar". Foi quando ela respondeu que na última vez havia reprovado justamente por não ter esperado o automóvel passar. Sem justificativa, o instrutor concedeu a sonhada carteira. Hoje, os parentes da administradora a consideram a melhor motorista da família. Até agora, dirigindo há mais de 10 anos, nunca levou uma multa nem sofreu acidente. Seu trabalho exige que se desloque para outros lugares ou cidades frequentemente. A experiência na direção faz com que os passageiros se sintam seguros quando ela está ao volante.
Em 2008, 92.243 testes teóricos do Detran foram realizados em Curitiba. Dos candidatos, 62,77% foram aprovados (quase 58 mil pessoas). Nas avaliações práticas, 122.390 passaram e 107.107 reprovaram. Em todo o Paraná, 910 mil testes práticos foram feitos. Destes, aproxima-damente 58% conseguiram tirar a carteira de motorista (527.203).

Não desistir nunca
Elic Vodovoz atualmente só estuda. São aproximadamente 10 horas por dia entre os livros. Faz curso preparatório para passar no concurso público de auditor fiscal e no resto do dia fica em casa pesquisando tudo o que pode para estar melhor preparado em relação aos outros candidatos. O esforço vale a pena. O salário de um auditor varia entre R$ 11 e 15 mil. E, justamente por isso, a disputa é grande. No último concurso foram 5 mil inscritos para 70 vagas. "Não faço muita estatística sobre isso para não desconcentrar e sair do foco", diz Vodovoz.
São três concursos importantes que serão ofertados nesta área em 2009. Um será em São Paulo, outro no Rio de Janeiro e há também o da Receita Federal. "Cada vez estou mais preparado. A evolução acontece. Quanto mais horas me dedico, melhor. Agora já estou enterrado neste assunto e não irei desistir", conta o estudante.
Há um ano, ele tem essa rotina de apenas estudar. Para poder se dedicar integralmente, largou o emprego. Fez isso pois percebeu que a maioria das pessoas que passa no concurso dedica-se por bastante tempo. "Ainda na faculdade, me interessei por fazer concurso público. Passei em diversos que exigiam apenas o Ensino Médio, como o do Banco do Brasil e o da Caixa Econômica."
Formado em Comércio Internacional, Vodovoz já fez cinco vezes o concurso para auditor. Segue na disputa sem desanimar. Para ele, é difícil trabalhar e estudar para esse teste ao mesmo tempo. A carga negativa do trabalho acaba influenciando nos estudos. Mas estudar em casa também tem seus contras. "Não pode dar bobeira. Tem computador, televisão, família e, às vezes, até filho. Tenho colega de cursinho que chega em casa e ainda precisa fazer almoço para o marido. Isso atrapalha muito. Ainda bem que tenho o apoio dos meus pais."

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