Grifes e estilistas têm uma tarefa ao mesmo tempo deliciosa e difícil. Lançar coleções que podem se tornar objetos do desejo de muita gente é a parte boa. Imagine ter que fazer isso duas vezes ao ano? Mas nada que mentes criativas não resolvam. Não por acaso eles viajam. E muito. Cruzam os mares e continentes em busca de inspiração, seja por meio dos livros, da Internet, filmes ou mesmo de férias bem-aproveitadas.
  E na edição Verão 2006 do Fashion Rio, o destino principal das coleções parece ser os mais áridos dos locais. Do deserto do Saara e das caatingas nordestinas chegam os tons secos. A cartela de cores brinca com os tons claros, que vão do branco ao creme, passando pelos esverdeados. O linho n esquecido há alguns anos no fundo do armário n volta à cena. Repaginado, volta mais fino e com jeito de que não vai amassar tanto. Será que pega? Nas passarelas cariocas, ele tem feito boas combinações com vestidos vaporosos, saias e camisas.
  O verão bem feminino vem dividido entre deixar o corpo à mostra ou brincar de esconder. Na moda praia, a ordem é economizar tecido para contabilizar elogios. Para o guarda-roupa casa-trabalho-festa, o comprimento longo é a pedida. Nessa linha, surgem as maxi-regatas da Maria Bonita, as saias da Tessuti e os vestidos em patchwork da Alessa, que fez desfile-instalação no início da semana em sua casa em Ipanema.
  No beabá do verão, o azul também aparece firme como tendência da próxima estação, ao lado das sandálias anabelas com solado de corda. Pulseiras largas e aos montes também vão chamar a atenção, segundo as dicas das passarelas cariocas. No quesito inspiração, o romantismo dispara no ranking fashion e surge como um ‘‘chega pra lᒒ nas formas muito justas e nas saias muito curtas. Vai daí que a modelagem surge mais ampla, mas sem perder a sensualidade.
  
Inspiração – Em se tratando de uma viagem fashion, veja o caso do mineiro que desenha para uma grife capixaba falando do Nordeste. O estilista Ronaldo Fraga, que assina o conceito da Lei Básica, viajou até o sertão nordestino para criar o verão da marca. Na passarela, as estrelinhas do vestido são vazadas a laser e a ave asa branca é estampa bacana nas xilogravuras características dos livrinhos de cordel.
  Alessa Migani nem precisou sair de casa para se inspirar. Aliás, o desfile-instalação foi em sua própria casa. Salinas foi mais longe. Só que no tempo. Biquínis retrô homenageando Carmen Miranda. Babados e frutinhas deram o tom ao desfile. Para a Blue Man, o biquíni jeans inventado pela grife 31 anos atrás segue repaginado com mais amarrações.
  Também pensando em meados dos anos 1970, a estilista Patrícia Viera faz o revival de suas próprias lembranças para trabalhar com eficiência o couro e o chamois. O jeito de lidar com a matéria-prima é tão especial que por vezes até parece o que não é. Seda, por exemplo.
  O Fashion Rio termina hoje, mas no próximo dia 28 começa mais uma maratona. A da São Paulo Fashion Week. Serão 52 desfiles. O verão está só começando. (K.M.)

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