Tendência ou modismo?
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segunda-feira, 03 de setembro de 2012
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Dentre os principais critérios que os candidatos levam em consideração na escolha de um curso estão a garantia de emprego e os bons salários após sua conclusão, gerando uma corrida pelos chamados cursos em alta.
Para o consultor em gestão estratégica de pessoas, Eduardo Carmello, diretor da empresa Enthusiamos, de São Paulo, é preciso, porém, diferenciar modismo e tendência. As carreiras da moda são as que estão em evidência, mas têm uma vida, em média, de dois anos. Já as tendências são necessárias a curto prazo e continuarão a ser ao longo dos próximos anos, explica.
Neste contexto, ele destaca que os setores de infraestrutura e energia, tecnologia da informação (TI) e ramo de serviços precisam de profissionais de ponta e especializados imediatamente, motivados pela própria dinâmica econômica do País. É certo que precisamos e vamos continuar com a demanda de engenheiros de todas as naturezas, bem como os geólogos. Ao mesmo tempo, estão pagando muito a gerentes de projeto de TI, que trabalhem com identidade visual e criação de plataformas e sistemas. Isso, segundo ele, para que o Brasil comece a despontar na produção de produtos com valor agregado e não somente exportador de commodities.
Mas, somente a qualidade técnica, conforme ele, não será suficiente para manter-se no mercado. Os profissionais do futuro precisarão de habilidades de outras áreas, como noção de gerência, de comunicação, para criar novas possibilidades de mercado. E novas profissões vão surgir também. Um dos motivos, de acordo com o especialista, é porque saímos da era de massa, passamos pela estatística, e entramos na era da singularidade. O consumidor passou a ser visto como um sujeito único. Por isso a customização está em alta.
Cursos disponíveis
Dentro das várias engenharias, o curso de Engenharia do Meio Ambiente e Sanitária passou a ser um dos mais procurados. Segundo o coordenador do curso da Faculdade Pitágoras, Fernando Ciriaco, caberá ao profissional da área a tarefa de prever o desenvolvimento econômico de maneira sustentável, respeitando os limites de exploração dos recursos naturais. Em alguns anos, nenhum tipo de projeto poderá ser realizado sem que haja um relatório do impacto ao meio ambiente provocado por sua instalação, resume.
Os cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação também se encaixam nas profissões em alta, sobretudo pelo advento da informática e o crescimento do mercado digital. Para o coordenador dos cursos da Universidade Filadélfia (Unifil), Sérgio Tanaka, o primeiro vai formar profissionais aptos a trabalharem com a produção de softwares e hardwares; e o segundo, a parte de programação de sistemas, principalmente empresariais. É fundamental que tenhamos incentivos com políticas de investimentos do Governo nessa área para que possamos competir com países como China e Índia.
Tradicionais e concursos públicos
Em busca de estabilidade no emprego, cursos costumeiramente ofertados em concursos públicos têm procura contínua por aqueles que pretendem ingressar na carreira pública. Os mais tradicionais, sem dúvida, são os cursos de Direito e Administração. Segundo o diretor acadêmico Ewerton Cangusso, da Faculdade Arthur Thomas, que oferece ambas as graduações, a procura tem se mostrado potencializada. Isso reflete o resgate da importância dessas áreas que dão base para todas as outras, ou seja, tudo necessita de gestão e tratar de questões legais, sintetiza.


