Desde o anúncio da decisão da Renault de instalar sua fábrica em São José dos Pinhais, em 1996, os fornecedores da montadora francesa passaram a buscar informações para vir ao Paraná. ‘‘Isso representa o primeiro passo para a mudança do perfil econômico do Estado para o desenvolvimento sustentado do Sul do Brasil’’, afirmou o governador Jaime Lerner na época. Na realidade, a movimentação dos fornecedores já era esperada pelo governo e também contribuiu para ampliar a intensa disputa entre os cinco Estados que queriam atrair a Renault.
Além dos investimentos da montadora e da geração de 2 mil empregos diretos, a fábrica poderá significar outros 20 mil postos de trabalho indireto, com a instalação dos fornecedores locais. Essa lógica segue a evidência da prática adotada, por exemplo, pela Fiat em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), e da Volvo do Brasil, em Curitiba.
Quando iniciou suas atividades, em 1973, a Fiat começou um processo de ‘‘mineirização’’, que concentrou as suas compras na rede de fornecedores instalados em Minas Gerais. Em 96, cerca de 60% dos fornecedores da Fiat já mantinham unidades de produção em áreas próximas à sua fábrica.
Albari RosaAutopeçasParceria: a Bosch já produz componentes para a Renault argentina
A Volvo, que fabrica ônibus e caminhões pesados na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), também ‘‘desenvolveu’’ fornecedores locais. Até o ano passado, 27 dos 250 fornecedores da empresa estavam isntalados na CIC. O processo de desenvolvimento de fornecedores da Volvo abriu inclusive outras oportunidades de mercado. Algumas empresas ‘‘desenvolvidas’’ por ela adquiriram perfil para atender outros fabricantes do setor.
Outro exemplo doméstico é o da Ford. Para iniciar a produção do Fiesta na fábrica de Taboão, em São Bernardo do Campo (SP), a montadora atraiu cerca de trinta fabricantes europeus e americanos que se instalaram no Brasil para atender a nova linha de produção da fábrica. Esse mesmo procedimento é esperado pela rede de fornecedores da Renault e a equipe do governo do Paraná envolvida diretamente nas negociações aposta que esta estrutura possa justificar a atração de outros fabricantes.
Na consolidação de uma rede local de fornecedores, pelo menos duas empresas instaladas na CIC já poderiam pensar em atender à Renault: a Robert Bosch e a Hubner Indústria Mecânica Ltda, catalogadas na carteira de fornecedores da fábrica francesa. A Bosch produz componentes de motor diesel para a Renault da Argentina. A Hubner já forneceu cabeçotes de motores para a fábrica argentina da Renault.

mockup