A imagem dos cursos pré-vestibulares ficou cristalizada como sendo a de uma sala enorme, abarrotada de alunos, tendo à frente um palco no qual o professor é capaz de rolar no chão se isso facilitar a memorização de macetes. Na prática, isso é coisa do passado, garantem coordenadores e diretores de colégios particulares de Londrina ouvidos pela Folha. Eles afirmam que, mesmo em meio à tensão dos vestibulandos, hoje há espaço privilegiado nos cursinhos e ''terceirões'' para raciocínio, análise, interpretação, enfim, para pensar.
Embora essa transformação tenha se acelerado para entrar em compasso com as mudanças impetradas no vestibular da UEL há dois anos, o processo já vinha acontecendo nos últimos dez anos. A constatação é do coordenador pedagógico de pré-vestibular do Colégio Maxi, Ubiracy D'Andrea, que ressalta o nível exigido atualmente dos professores de cursinho e terceiro ano do Ensino Médio - muito mais do que ser engraçado ou malabarista. ''O professor que não tem conteúdo não sobrevive mais nesse mercado. Hoje o quadro é formado por profissionais com especialização, mestres, doutores'', destaca.
''O professor-show não tem mais lugar em escola séria'', concorda o diretor de Ensino Médio e Pré-Vestibular do Colégio Universitário, Alderi Ferraresi. ''Para atender às novas exigências do vestibular, o conhecimento não pode ser bitolado, baseado em macetes; é preciso se ter uma maior visão de mundo, com conceitos mais contextualizados'', acrescenta. Mesmo nesses novos moldes, Ferraresi acredita que as aulas pré-vestibular podem ser agradáveis, pois o professor ''chama a atenção do aluno ao relacionar a disciplina dele com o dia-a-dia''.
Nesse contexto, os professores do chamado ''terceirão'' se sentem mais confortáveis a tratar o último ano do Ensino Médio como uma extensão dos estudos normais dos alunos, sem tanta pressão visando o vestibular. ''Como já tínhamos um ensino que privilegiava a reflexão, as provas da UEL ficaram até mais fáceis para os alunos'', alega a coordenadora pedagógica de Ensino Médio do Colégio Londrinense, Esmera Fatel Rossi.
Já na avaliação da coordenadora psicopedagógica do Colégio Marista, Rosane Cristina Gomes, a maioria dos jovens ainda não está preparada para esta nova proposta e precisa ganhar mais ''autonomia intelectual''. ''É um trabalho a longo prazo, que tem de ser conciliado com as necessidades imediatas dos alunos. Mas já se percebeu que a memorização, a decoreba, não atingem mais o sucesso'', assinala.
Ferraresi define o perfil ideal do vestibulando da UEL, nos dias atuais, como alguém que sabe ler um texto e tirar conclusões a partir desta leitura. ''Por isso ele também precisa buscar conhecimento fora das apostilas de colégio, não adianta mais ficar com a cara enfiada nos livros. Isso pode até diminuir a pressão sobre os alunos, porque eles não precisam mais ficar decorando um monte de conteúdo feito um robô.''
Confira também a lista dos aprovados no vestibular da Universidade Estadual de Maringá - UEM - no site www.bonde.com.br/folhadelondrina

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