Nos dias de hoje as senhas são a chave para tudo. Caixa eletrônico, Internet, bloqueio de chamadas, ouvir mensagens de voz, cartões de crédito, entradas em sites específicos, e-mails, enfim, para tudo se usa uma senha. E os números devem ser diferentes, até mesmo para dificultar o acesso de invasores, tão comuns em época de avanço da informática.
Mas, se por um lado, as senhas facilitam o acesso para tudo, o mesmo não se pode dizer quando o assunto é memorizá-las. Existem os que conseguem fazer isso facilmente, mas a maioria reclama da quantidade de números e letras que precisam ser guardados.
Para as pessoas que têm contas em vários bancos, cada sistema é diferente. Uns exigem apenas números. Outros, além dos números, letras. O aposentado Lázaro Braz Pinto, de 61 anos, tem apenas a senha de um banco para se lembrar. ''Como trabalho com o mesmo banco há anos, a senha é a mesma, então, não tem jeito de esquecer. Já está memorizada há muito tempo''.
Nem sempre foi assim. Antes, o alarme da casa também obrigava o aposentado a decorar outros seis dígitos, mas problemas técnicos fizeram com que ele cancelasse o método de segurança, que agora é feito por controle remoto. ''É mais fácil do que você ficar decorando um monte de números''. Apesar do incômodo, o aposentado afirma que ''decorar senhas é necessário para garantir a segurança''.
Diferente de Lázaro, o estudante de tecnologia de alimentos, Aílton César Lemes, de 18 anos, tem cinco senhas para memorizar. Senha do banco, da Internet, de alguns sites de pesquisas, utilizados no curso. ''Às vezes confundo algumas delas''. O motivo da confusão é que, para facilitar a memorização das senhas, ele utiliza números parecidos em todas elas, trocando apenas a ordem. ''Tem dia que esqueço e misturo os números''. Por conta disso, Aílton já teve um e-mail cancelado. ''Não conseguia me lembrar da senha para acessá-lo. Testava várias opções e não tinha acesso. Venceu o prazo e a operadora cancelou o endereço''.
Apesar das dificuldades, Aílton afirma que nunca teve nenhum problema em relação à invasão de senhas. Ele também considera a memorização dos números um método mais seguro, além de ser ''um bom exercício para a mente''.
Mas não é só o exercício. Algumas pessoas têm mesmo mais facilidade de memorização. De forma bem simples, a memória é a capacidade de guardar informações e de recuperar essas informações posteriormente. Segundo a psicóloga Márcia Cristina Caserta Gon, professora de psicobiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ''do ponto de vista da neurociência, vários estudos são feitos para investigar de que forma isso acontece''.
A conclusão é de que o ambiente tem um papel muito importante nesse processo. ''O cérebro, sem o meio, não tem função'', afirma a psicóloga. ''Senão, o que faz com que eu me lembre de coisas que aconteceram antes? Um cérebro geneticamente mais privilegiado, sem a interferência do meio, não faz diferença nenhuma'', avalia. ''É dessa interação do fator biológico e da história de vida de cada um que depende a memória''.
Outro detalhe é que recebemos muita informação e o cérebro precisa de ''um tempo'' para assimilar todas elas. No aspecto neurológico, a psicóloga afirma que ''quanto mais estímulo e mais fortalecimento das vias cerebrais, maior a facilidade para memorizar''.

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