Temporada de pedidos de presentes já começou
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domingo, 05 de dezembro de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Ruas enfeitadas, lojas abastecidas de brinquedos e equipamentos eletrônicos. Foi dada a largada para a temporada de presentes de Natal. Para crianças e adolescentes é hora de pedir e eles pedem mesmo desde os mais modernos telefones celulares, tênis de última tecnologia, videogames e brinquedos sofisticados, todos com pelo menos uma coisa em comum, preços altos. Para os pais é hora de ponderar comprar ou não?
Caso não achem necessário ou não possam comprar os presentes pedidos, os pais enfrentam outro dilema como dizer ''não'' aos filhos? A tarefa é difícil, mas não impossível, e principalmente necessária, segundo a psicóloga de Londrina, Renata Graner, especialista em crianças e adolescentes. Antes de mais nada, explica a psicoterapeuta, é precisar reforçar a idéia de que Natal não é simplesmente ganhar presentes. ''É preciso retomar valores, tem muita criança e mesmo adulto que nem se lembram da religiosidade do Natal''.
Mas, dizer ''não'' aos filhos é sempre difícil, seja ao negar um presente de Natal, não comprar este ou aquele objeto no supermercado, ou mesmo não permitir uma saída ou passeio. Isto porque, explica Renata, os pais acreditam que têm que dar prazer aos filhos, ''acham que isso é dar carinho, e se sacrificam para isso''. ''Às vezes, até deixam de comprar coisas básicas para comprar um videogame caro. Não é difícil encontrar casas simples, onde até faltam coisas, mas o videogame está lá'', conta.
É claro que o videogame ou qualquer outro brinquedo não são os vilões. O problema, segundo a psicóloga, é achar que não pode faltar nada para as crianças, como se a ''vida real'' também fosse assim, sem dor ou frustações. Renata conta que não é incomum pais chegarem até o seu consultório se perguntando porquê o filho tem este ou aquele problema, se eles têm de tudo. ''Quando o pai fala: 'eu não entendo o que acontece, não falta nada para ele', já tem alguma coisa errada'', afirma.
Para a especialista, não adianta iludir os filhos, montando uma vida ''cor-de-rosa'', irreal. ''Isto será cobrado mais tarde, e aí, se esses futuros adultos não conseguirem lidar com a frustação, poderão compensar isso com drogas e bebidas'', alerta. Quando Renata ou mesmo os pais admitem que a tarefa de dizer ''não'' é difícil, não é à toa. Isto porque para os pais também é complicado sofrer. ''Os pais sofrem de verem seu filho sofrendo e não aguentam isso'', explica a especialista.
Vivemos em um tempo, segundo ela, que as crianças são muito valorizadas, viraram o centro das famílias, diferentemente de algumas décadas atrás, quando a vida da família girava ao redor dos pais. ''Era deles, por exemplo, o melhor pedaço do frango e não havia nada de mal nisso. É diferente, por exemplo, antes do século 17, quando as crianças não eram nem consideradas pessoas com alma. Por causa das doenças da época, muitas crianças não sobreviviam e não tinham valor ''.
Renata vê essa mudança, de um extremo para o outro, como negativa. Isto estaria fazendo pais se sacrificarem ao extremo, deixando de se cuidar e de comprar coisas para si mesmo, para dar aos filhos. Ela explica que os pais precisam estar bem, resolver suas próprias frustações, para ter segurança de que estão fazendo o melhor na educação dos filhos. ''É preciso que os pais se respeitem enquanto pessoas, que admitam que também têm necessidades'', enfatiza.


