Tempo quente no campo
Jagunços x posseiros, a Guerra de Porecatu e a Marcha da Produção
Reprodução/livro O Paraná e seus MunicípiosO governador Moysés Lupion (último à direita) visita Bandeirantes, no Norte do Estado, em 1947: período de muitos conflitos no campoInstrusos e grileiros, usando jagunços (pistoleiros profissionais), criaram um clima de guerra em muitos pontos do Estado, nos anos 40, logo após o final do período totalitário.
Em agosto de 1947, um grupo armado tentou ocupar as terras da Fazenda Guaracy. Houve mortes e feridos. O tiroteio persistiu por vários dias. Os lavradores enviaram as famílias para o interior das matas e lutavam em defesa de suas posses. Tentando resolver o problema, o governo prometeu doar terras devolutas na região do Vale de Paranavaí. Os lavradores acreditaram, encerraram as colheitas e se dispuseram a ir. Mas o governo não cumpriu a promessa. E, então, surgiu a reação armada de Jaguapitã. Mas não foi só ali. Em quase todo o Estado ocorriam lutas entre posseiros, grileiros e grandes proprietários.
Guerrilha em Porecatu Em 1950, aconteciam novos choques, com extrema violência, na região de Porecatu. Eram problemas que nasceram, na verdade, durante o período totalitário e que acabaram explodindo, em revolta que comprovadamente teve a participação de elementos ligados ao Partido Comunista Brasileiro. Trata-se de um dos mais graves incidentes surgidos no Estado, com forte conotação política e ainda suficientemente historiado.
A precariedade das comunicações na época, a dificuldade até para o acesso à região conflagrada e, sem dúvida, uma ação policial que lembrava em muito o modo de agir do regime ditatorial, recentemente expurgado, tornam complicada a tarefa de um resgate histórico efetivo da situação e da luta deflagrada na região. O Brasil era uma democracia, mas nem tanto! E o Norte do Paraná era quase que uma ilha, sem comunicações com o resto do Estado e do país.
Ficaram sequelas por toda a região e durante anos muitos políticos que de algum modo tiveram participação (ou tomaram partido) na luta ocorrida ali, ficaram marcados. Muitos deles acabaram sendo, inclusive, denunciados em 64, na nova fase ditatorial implantada no país, por ligações comunistas com o movimento de Porecatu.
A posse de Bento Munhoz da Rocha Neto, no governo, em 1951, sucedendo a Moysés Lupion, não representou o fim das dificuldades. O novo governador teve que dar sequência à luta para tentar pacificar a região, sendo que até junho de 1951 novos contingentes armados foram enviados ao local para acabar com a rebelião.
Bento Munhoz enfrentou, também, as dificuldades de um Estado que reclamava a assistência que merecia mas que não era possível dadas as condições gerais do Paraná e as dificuldades de um país que não havia ainda atingido a evolução. Ademais, a crise nacional voltava a ter reflexos, naturalmente, no Estado. As eleições que consagraram a vitória de Bento Munhoz, no Paraná, também elegeram para a presidência o ex-ditador Getúlio Vargas. O que aconteceu nos anos seguintes é sabido, pode ser considerado até natural diante das circunstâncias e da História, e o Paraná também sofreu os efeitos da crise.
No meio de tudo, o governador Bento Munhoz da Rocha Neto é convidado para o Ministério da Agricultura, sendo substituído para encerrar o mandato por Adolfo de Oliveira Franco. E, em novas eleições, Moyses Lupion é reconduzido ao governo do Estado, em 1956.
Os conflitos de terra se agravam, tendo agora como cenário o sudoeste e também o oeste do Estado. O Brasil inteiro toma conhecimento do Paraná. Lupion ganha a fama de corrupto, que inclusive acabaria por lhe custar os direitos políticos na Revolução de 64.
Produtores protestamNo Brasil, o governo de Juscelino Kubitschek marca uma etapa de euforia e desenvolvimento. Mas também enfrenta sedições.
Mostrando espírito democrático e aberto, o presidente anistiou os revoltosos. Entretanto, não foi tão ponderado em relação ao Norte do Paraná. Os produtores da região, atingidos por sérias dificuldades, responsáveis já então por considerável parcela das divisas produzidas pelo país, consideraram-se desatendidos pelo governo federal.
Para pressionar a administração do país, prepararam a chamada Marcha da Produção que pretendia ir à Capital da República para apresentar as reivindicações dos produtores. O presidente democrático não mostrou, então, esta faceta do seu caráter: mandou tropas do Exército e conseguiu evitar o protesto.





