Marcelo AlmeidaDiversidade sonora e grande oferta: segundo Marcelo Morto, da Drop Dead, a nova loja de CDs vai agradar todos os gostos radicaisQuando se fala no som dos esportes radicais, o assunto não é apenas o ruído das rodinhas dos skates maltratando o concreto das pistas ou das pranchas de surf batendo nas paredes das ondas. Os adeptos dos esportes radicais, tribos que tem uma cultura própria, encontram na música uma forma extra de identificação. Escutam bandas que a maioria nem ouviu falar.
Com o objetivo de suprir walkmans e aparelhos de som em geral desta moçada, a marca de skatewear Drop Dead está lançando uma loja de CDs especificicamente dedicada aos sons radicais. É a Drop Dead Sound Department, que fica no Shopping Mouniff Tacla. ‘‘Como o pessoal do skate e dos esportes radicais em geral costuma ouvir muitas bandas alternativas e novas que ainda não chegaram no país, é sempre difícil encontrar os discos, a não ser que se mande importar, o que demora muito’’, diz o diretor de criação da Drop Dead, Marcelo Morto, um dos responsáveis pelo projeto. ‘‘Pensando nisso, começamos a por uns CDs nas lojas da Drop. O sucesso foi tanto que nasceu a idéia da Sound Department’’.
A variedade de estilos é bem grande. Podem ser encontradas bandas de rap, hardcore, guitar rock, techno e muito mais. ‘‘Até um tempo atrás, os skatistas eram mais radicais: ouvia-se apenas um ou dois estilos de música e quem gostava de um não queria saber do outro’’, explica Morto. ‘‘Hoje isto mudou. A galera está muito mais versátil e informada. Essa abertura tem tudo a ver com o espírito do skate, um esporte que é praticado na rua: os skatistas estão ligados com o que está acontecendo’’. O skatista profissional Rafael Baciak, 21 anos, confirma esta diversidade. ‘‘Tenho amigos que escutam heavy metal, hardcore, dance... As tendências estão muito variadas’’.
A troca de informações sobre as novidades musicais acontecem por vários meios. Internet, revistas de skate e de música importadas e, principalmente, vídeos do esporte - nos quais as cenas de ação são acompanhadas por músicas igualmente ‘‘nervosas’’ - são alguns. É comum entre os adeptos da prancha sobre rodinhas o hábito de ouvir uma música num documentário de skate e não sossegar enquanto não descolar um disco da banda em questão.
Os campeonatos são outro tipo de canal de informação musical. Os skatistas que competem costumam escolher as músicas que serão executadas durante suas performances. Trazem suas fitas e CDs de casa ou escolhem algo no acervo da organização das competições. ‘‘Sempre ando com um som na mente. Ajuda a dar uma adrenalina’’, diz o skatista Rafael Braciak. No caso dele, a pedida é o rap de bandas como Wu-Tang-Clan e Moob Deep. ‘‘As batidas desta música combinam com o ritmo do skate’’, justifica.
Um dos maiores skatistas do país, o curitibano Rodil de Araújo Junior, o ‘‘Ferrugem’’, 19 anos, também motiva-se com a música e faz questão de escolher a trilha sonora das suas atuações em campeonatos. A discotecagem sugerida por ele, entretanto, não costuma agradar a maioria dos skatistas. Evangélico, só ouve música gospel.
‘‘Escuto rap, hardcore e heavy metal, mas tudo gospel. As guitarras e batidas são normais, o que muda são as letras: trazem mensagens que me deixam em comunhão com Deus. Não falam de assuntos mundamos como drogas, coisa que se ouve muito no que as bandas normais cantam’’, diz ‘‘Ferrugem’’. As bandas prediletas do skatista são a Juíz Final (rap), Oficina G3 (hardcore) e Mortification (heavy). ‘‘Sei que o pessoal não gosta e tem gente que não vai com a minha cara por causa disso, só que eu não ligo’’.

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