Telepar foi primeira ''nota 10''
Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
A telefonia no Paraná passou a ser estatal com a criação da Telepar, em 1963, no governo Ney Braga. A 6 de dezembro, uma assembléia geral da companhia de telecomunicações, realizada no auditório da Biblioteca Pública, deu posse aos diretores e conselheiros que assumiam a empresa de economia mista, da qual o governo estadual tinha o controle acionário.
A justificativa para a criação da empresa se baseava no fato de que, naquele momento, apenas 107 dos 265 municípios paranaenses possuíam redes telefônicas e somente 96 estavam interligados por redes interurbanas. Algumas das empresas municipais ligavam duas ou três cidades, mas não se ligavam à rede estadual.
Como se vê, os grandes avanços da telefonia são relativamente recentes. O número de telefones instalados no Paraná, na época da criação da Telepar, era de 31.600 terminais, dez mil deles em Curitiba. Isso significava 0,7 aparelho para cada 100 habitantes. A capital, por sua vez, dispunha de quatro telefones para cada grupo de 100 curitibanos. No mesmo período, o Rio de Janeiro, a cidade brasileira mais bem servida, possuía 10,2 para 100, enquanto que em Washington, a capital norte-americana, a densidade era de 88,2.
A operação de todos os circuitos interurbanos ainda era manual. Para se ter uma idéia das dificuldades do setor 30 anos atrás, Curitiba só se comunicava com o Rio de Janeiro e com Porto Alegre através de um precário serviço de rádio, com número de canais limitado, operado pela Radional.
A situação mudou rapidamente. Em 1992, a Telepar foi considerada a operadora nota 10 do Sistema Telebrás a qualificação máxima em todos os indicadores de desempenho do serviço. Foi a primeira a receber essa nota.
O imponente prédio-sede da Telepar, como o conhecemos hoje no alto das Mercês, em Curitiba, teve sua construção iniciada em 1965. Com uma área de 12 mil metros quadrados e 91,98 metros de altura, recebeu o nome de Palácio das Comunicações Presidente Arthur da Costa e Silva. Foi projetado pelo arquiteto Lubomir Ficinski e nenhuma construção em Curitiba pode estar mais alto do que ele, para não atrapalhar a captação das antenas de micro-ondas. Seu terraço está a exatos 1.024 metros acima do nível do mar.





