Carmem Murara
De Curitiba
Demora no atendimento ao cliente se deve, segundo a empresa, à herança da estatal e expansão mal-sucedida
A Telepar – companhia pertencente à holding Tele Centro Sul – trabalha contra o relógio para instalar o maior número possível de terminais telefônicos em todo o Estado. A pressa é em razão da chegada da concorrência e da possibilidade de perder a clientela que espera há anos na fila para ter acesso a um telefone convencional. Apesar do processo de ampliação de rede, a Telepar ainda tem um lista de espera de aproximadamente 620 pessoas, que cai para 500 se forem desconsiderados os registros repetidos em nome do mesmo cliente.
A demora no atendimento é uma herança da antiga estatal e de alguns mal-sucedidos planos de expansão. Famílias chegaram a esperar dois anos na fila e depois descobriram que não iriam receber os aparelhos. Hoje, a lista é o dobro do que havia há um ano atrás, mas também dobrou a velocidade de instalação de novas linhas. ‘‘Nossa meta é acabar com a fila até o final de 2000’’, promete o presidente da Regional Sul da Tele Centro Sul, Jorge Jardim.
Hoje, há no Estado 1,5 milhão de usuários que podem falar ao telefone. No período entre julho de 1998 e junho de 99, a Telepar instalou 221,4 mil novos telefones, o que representou um aumento de 19% na planta. O número de telefones públicos também cresceu quase 19%, o que representou um acréscimo de 4,9 mil unidades.
O presidente da Regional Sul diz que a meta da Tele Centro Sul é instalar um milhão de terminais até o fim de 2000 em todos os Estados onde atua. Deste total, 35% se destinam ao Paraná.
A Tele Centro Sul fechou o semestre com um lucro líquido de R$ 109 milhões, sendo que R$ 67 milhões foram relativos ao primeiro semestre. O lucro líquido relativo ao primeiro ano da privatização foi de R$ 279,3 milhões.
A Tele Centro Sul controla a telefonia fixa nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Rondônia, Acre, além do Distrito Federal e de Pelotas (RS). A outra companhia de telefonia fixa é a Telemar (ex-Tele Norte Leste), que atua nos Estados do Nordeste e Sudoeste, a partir do Rio de Janeiro. A terceira companhia é a Telefônica, que tem a concessão para o Estado de São Paulo.
Assim como a Tele Centro Sul, elas cumprem as metas estipuladas pela Anatel. A Telemar enfrenta os maiores problemas para contornar o sucateado sistema de telefonia no Rio de Janeiro. A Telemar foi comprada pelo polêmico consórcio formado pela Inepar, Andrade Gutierrez, Macal, Fundos de Pensão do Banco do Brasil, por R$ 3,434 bilhões, 1% de ágio sobre o preço mínimo.
A Telefônica comprou a Telesp com um ágio 64,28%, pagando R$ 5,783 bilhões. A Embratel foi vendida para o consórcio MCI por R$ 2,65 bilhões, ou seja, 47,2% a mais que o preço mínimo.

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