Telefone chegou ao País em 1878
Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
A primeira ligação interurbana no Brasil, entre a Estação da Estrada de Ferro Paulista, em Campinas, e a Estação Inglesa, em São Paulo, causou espanto e admiração, um furor registrado pela Gazeta de Campinas, ainda em agosto de 1878. Dizia o jornal que foi geralmente apreciado o resultado da aplicação do telefone, pois fazendo-se a alguém uma pergunta em distância de 18 léguas, ouve-se imediatamente a resposta, como se as duas pessoas estivessem ali conversando a 20 passos de distância.
Interessante é a descrição que o jornal faz do aparelho de telefone da época. Segundo o texto, a comunicação era possível graças às duas espécies de tubos, um por onde se fala e outro onde se aplica ao ouvido, para receber a resposta.
Como todas as novidades, essa também causava algum medo. A edição de 9 de abril de 1895 do jornal A República trazia um artigo elogiando a utilidade do telefone, mas fazia um alerta: ...tem entretanto os seus inconvenientes, não somente determina acidentes nervosos graves nas pessoas que dele se servem continuamente como sejam os empregados das estações centraes, como pode ainda causar-lhes verdadeiras doenças do systema auditivo.
O serviço sofreu uma interrupção no final do século passado e foi reativado em 1904, quando documentos indicam a existência de 100 assinantes e a provável inauguração das linhas em fins de fevereiro de 1905. Os registros do período não cobrem todos os passos da telefonia, mas de acordo com o livro A História da Telefonia no Paraná, editado pela Telepar em 1982, no final da primeira década deste século já existia um empresa denominada Companhia Telefônica do Paraná, de propriedade de Olyntho Bernardi.
A concessão feita pelo poder público convivia com linhas particulares, que normalmente ligavam apenas dois ou três aparelhos. O Paraná, em 1913, contava com 454 telefones, somando a capital e cidades do interior, entre elas Ponta Grossa e São José dos Pinhais. A Companhia Telephonica Ponta Grossa, de propriedade de Possidônio Cunha Santos, havia sido inaugurada em setembro de 1908.
Os primeiros telefones do Paraná, na verdade, foram instalados em Paranaguá, ainda em 1886. A licença para a instalação de dois aparelhos particulares foi autorizada pela Repartição Geral dos Telégrafos, em favor da firma Caetano Munhoz da Rocha.
Entre 1913 e 1918, foi registrado um surto de desenvolvimento, aumentando o número de aparelhos telefônicos e cidades atendidas. Naquele ano as linhas chegaram a Rio Negro, no Sul do Estado, e ao Norte Pioneiro, levadas pelos fazendeiros do café.
Diante de muitas reclamações dos assinantes quanto aos serviços prestados, a prefeitura de Curitiba foi autorizada pela Câmara a adquirir o acervo da Empreza Telephonica do Paraná abrangendo as concessões desta capital, Ponta Grossa e Paranaguá, em maio de 1924. O prefeito Júlio Moreira Garcez justificou a medida afirmando que se destinava a melhorar os serviços telephônicos desta capital, cujo funccionamento muito deixa a desejar, por isso que o antiquado systema como é feito não permite satisfazer com regularidade o objectivo collimado, e consequentemente não se harmoniza com o progresso da nossa capital...
Em 1927 nascia a Companhia Telefônica Paranaense Ltda., registrada na Junta Comercial no mês de outubro. O capital vinha da firma Mix & Genest Aktiengesellschaft, de Berlim, e de Helmuth Walden. A empresa modernizou a rede, com cabos aéreos e subterrâneos. Em 1936, o controle acionário da companhia passou para a ITT (International Telephone and Telegraph Corporation), de Nova York.
Acompanhando a expansão da cultura do café no Norte Novo, em 1946 a empresa interligou Andirá, Bandeirantes, Cornélio Procópio, Jataizinho e Londrina, sempre a partir de Cambará. No ano seguinte, Londrina recebia o serviço telefônico de bateria central, com mil terminais.
Já em 1951, nova transferência é feita e a empresa paranaense passa para a Companhia Telefônica Nacional Divisão Paraná (CTN). Sete anos depois, por iniciativa do então prefeito Ney Braga, Curitiba ganhava o Serviço Telefônico Automático, inaugurado em março na nova sede da empresa, na Travessa Jesuíno Marcondes. Desaparecia então a pergunta clássica da telefonista: Número, faz favor.
Na década de 50, a CTN atendia 69 localidades no Paraná. E, então, outras empresas telefônicas nasceram no interior do Estado. A Sociedade Telefônica do Paraná Ltda. (STP) foi criada em Maringá, em 1953. A Organização Telefônica do Paraná (Ortepa) data de 1956 para servir as cidades de Apucarana e Arapongas.
Em 1962, a Prefeitura de Umuarama nomeou a Companhia de Telecomunicações de Umuarama S.A (Cotusa) a concessionária exclusiva dos serviços. Seis anos depois, ela atendia também Cascavel, Corbélia e Perobal. No Oeste do Paraná funcionou a Companhia Telefônica Sul Paranaense S.A (Telesul). A Cotelpa (Sociedade Anônima Companhia Telefônica de Paranaguá) substituiu a CTN em 1963, assim como a CPT (Companhia Pontagrossense de Telecomunicações) fez o mesmo em Ponta Grossa.
Os primeiros
assignantes
de Curitiba
Nº 14: Collectoria, Rua do Riachuelo
Nº 23: Escola de Artes e Indústria do Paraná, Rua do Aquidaban
Nº 32: Henrique Itiberê, chácara
Nº 33: Azevedo Murray & C., XV de Novembro, 40
Nº 34: Azevedo Murray, engenho
Nº 40: John F. Murray, chácara
Nº 42: Alfredo Eugenio & C. Primeiro de MarçoEm 1913, o Paraná tinha 454 linhas telefônicas, somando Curitiba, Ponta Grossa e São José dos Pinhais
Acervo TeleparImagem do pioneirismo: mesa telefônica em Paranaguá, onde as duas primeiras linhas foram instaladas em 1886, por autorização da Repartição Geral dos Telégrafos, em favor da firma Caetano Munhoz da Rocha





