Londrina vai iniciar o terceiro milênio como um pólo consolidado de pesquisa e geração de tecnologia agropecuária. A cidade já é considerada centro de excelência pelas comunidades científicas nacional e mundial. A tendência é que isso se reforce nos próximos anos. A opinião é dividida entre o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Soja, Paulo Roberto Galerani, e o presidente do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Florindo Dalberto. As duas instituições estão sediadas em Londrina e são responsáveis por gerar e transferir aos produtores conhecimentos científicos e tecnológicos para o desenvolvimento sustentado da agropecuária.
‘‘O cenário que se constrói para o ano 2000 é de que a agricultura mundial vai estar cada vez mais baseada no conhecimento. E Londrina, que sedia instituições como o Iapar, a Embrapa e a UEL, está à frente desse processo, estudando e introduzindo nos campos paranaenses e brasileiros ferramentas da biotecnologia e da agricultura de precisão. Um trabalho complementado pela atuação da Emater’’, diz Dalberto.
Na realidade, o município já conquistou uma tradição de pioneirismo em pesquisa. Basta lembrar que Londrina é berço da soja tropical. Foi a Embrapa Soja que gerou a primeira cultivar de soja genuinamente brasileira. Um trabalho que derrubou conceitos internacionais, que diziam que a soja só poderia produzir em regiões de altas latitudes. ‘‘Hoje o Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo e somos referência em soja tropical’’, conta Galerani. Outro destaque é a recuperação da cafeicultura no Estado, com o desenvolvimento da tecnologia do café adensado.
‘‘Londrina é vista com respeito por toda a comunidade científica’’, diz Galerani. Para ele, a vinda de pesquisadores do Jircas (Japan International Research Center For Agricultural Sciences), um instituto para desenvolvimento da agricultura do Japão, é exemplo disso. ‘‘A cidade foi escolhida depois de avaliações minuciosas. Os itens que mais pesaram foram as condições de investimento em pesquisa e a qualidade de vida da cidade’’. Galerani destaca também a posição privilegiada de Londrina no Mercosul, capaz de tornar o município um dos maiores importantes centros na área no Cone.
A proposta dessas instituições de pesquisa para o próximo milênio está em alcançar modelos de agricultura capazes de abranger competitividade, sustentabilidade e equidade. ‘‘É preciso direcionar nossos trabalhos para a agricultura familiar, a agroindustrialização para viabilização de propriedades pequenas e médias e a busca de nichos de mercado’’, analisam. A criação de programas específicos para o município também é uma proposta. ‘‘Londrina precisa ser campeã em produtividade no campo. A Embrapa e o Iapar estão abertos para contribuir’’, diz Galerani.
Como centro de pesquisa, a cidade precisa também se estruturar. ‘‘É fundamental que Londrina se prepare para receber grandes eventos científicos’’, explica Galerani. Daí a importância de investir na construção de um Centro de Convenções. ‘‘Esses congressos, encontros e reuniões colocam a cidade em destaque. É preciso estar preparada e organizada para isso’’, conclui.

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