Tecnologia, limite e saúde
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de março de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Recentemente alguns tipos de jogos eletrônicos estiveram no centro de uma discussão sobre a influência ou não desse tipo de entretenimento no comportamento dos jovens. De um lado estavam os defensores da tese que os jogos violentos teriam o poder de estimular a violência, do outro, aqueles que duvidavam desse potencial e questionavam se outros estímulos, como aqueles presentes em novelas, filmes e até desenhos, não teriam o mesmo efeito.
Essas questões chegaram até a Justiça Federal, que baniu das prateleiras brasileiras dois jogos considerados inadequados para qualquer idade: Counter Strike e Everquest.
No entanto, além dos aspectos comportamentais e psicológicos desse tipo de entretenimento, outro ponto merece ser analisado: a saúde. Até que ponto é saudável que um jovem passe horas do seu dia defronte a um computador ou videogame?
De acordo com o psicólogo Paulo Roberto Abreu, especialista em comportamento, não existe uma fórmula que seja capaz de ditar quanto tempo cada criança pode passar nesses jogos. ''Se os pais observarem que o filho está deixando de fazer alguma coisa importante, está faltando às aulas e não faz mas os deveres, é hora de parar'', sugere.
Outro termômetro de que o jogo está virando um problema é quando o jovem começa a excluir os contatos pessoais para se dedicar apenas aos embates virtuais, excluindo alguns aspectos da vida social. ''Nada substitui o contato corpo-a-corpo'', observa o especialista. No entanto, ele reconhece que muitas vezes este tipo de entretenimento cria novos laços entre os jogadores, que se reúnem nas chamadas lan houses para jogar em times, elaborar estratégias, ou simplesmente brincar juntos.
Esse é o caso do jovem N.G., de 13 anos, que já fez muitos amigos através do jogo. ''Tenho um time de CS (Counter Strike) com sete pessoas que conheci aqui'', afirma ao referir-se a uma lan no bairro Champagnat onde costuma ir aos sábados. Em casa ele conta que chega a ficar até seis horas jogando, mas reconhece que é um exagero. ''Acho que três horas já é muito'', avalia. Apesar dessa consciência, ele conta que seus pais não controlam seu tempo de jogo.
Exageros à parte, o jovem F.C., de 15 anos, conta que chegou a ficar doente após uma maratona de 15 horas seguidas jogando. ''Tive febre, depois disso minha mãe me proibiu de fazer 'frag''', conta ele ao referir-se à frag nigth, tipo de promoção em que os participantes viram a madrugada nas lans. Ele não acredita que o jogo lhe traga algum problema social, pois sempre joga acompanhado dos amigos, mas não participa mais de competições tão longas.


