Uma obra, definitivamente, começa muito antes dos tijolos aparecerem e darem forma às paredes. Tanto que, para garantir uma boa sustentação, técnicas de fundação são primordiais no processo inicial. Nesse quesito, a tecnologia na construção e o desenvolvimento da engenharia são aliadas para a realização e garantia de uma base sólida e segura. Exemplos disso são técnicas, muitas delas inovadoras, usadas por construtoras locais, como é o caso das obras de um empreedimento comercial de 18 pavimentos, na Gleba Palhano (sul).
Nas duas torres, segundo Sérgio Sorgi, engenheiro da Montosa Construtora, responsável pela obra, foram utilizados blocos de concreto de fundação com cerca de 200 metros cúbicos de volume de concreto. ''As fundações das duas torres são do tipo indireta profunda. Portanto, tivemos de utilizar um controle tecnológico diferenciado das concretagens de peças de menor volume, devido à perda de calor durante a reação química do cimento'', explica.
Com relação às técnicas de fundação, Sorgi afirma que as tradicionais para a execução de obras com este perfil - na qual são utilizados equipamentos de ar comprimido - já são consideradas obsoletas por oferecem riscos à saúde dos trabalhadores e exigirem mais tempo no cronograma da obra. ''A técnica que utilizamos consiste em escavar as estacas em rocha. A primeira, com perfuratriz de grande porte, até atingir a camada de rocha. A segunda, com uma de menor porte e dotada de brocas especiais de vídea para perfuração em rocha.''
Para ficar economicamente mais viável, conforme o engenheiro, foi desenvolvido uma técnica para a execução da estaca raiz com o uso de tubos de aço no diâmetro da estaca raiz, montados em módulos de acordo com a quantidade de estaca por fundação. ''Os módulos foram inseridos no furo executado na primeira etapa e envolvido pelo concreto da mesma. A técnica de perfuração e concretagem da estaca na primeira fase envolve o uso de lama bentoníca. A principal função da lama é inibir a interferência do lençol freático, por ser mais densa que a água'', detalha.
Já a concretagem que é feita de baixo para cima por meio de um duto flexível, expulsa a lama que retorna ao silo para ser reaproveitada no processo. ''Após a conclusão das estacas da primeira etapa, iniciamos a perfuração da segunda etapa através dos tubos que funcionam como guia para se atingir a camada de rocha, perfurada em média com três metros de profundidade.'' O método também é utilizado na construção de pontes, viadutos e outras obras complexas da construção pesada.

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