Apostar em máquinas que substituem o trabalho braçal em algumas áreas da construção civil é a arma que as construtoras tem encontrado para enfrentar a falta de mão de obra. Ricardo Cardoso, gerente de engenharia da Plaenge, explica que a utilização da tecnologia já vem sendo feita pela construtura nos últimos três anos, sendo fundamental na substituição do processo antigo do uso da mão de obra braçal para descarga e movimentação que, segundo ele explica, é improdutiva, insegura e inapropriada pelo lado da saúde ocupacional do trabalhador da construção civil.
''Com o crescimento da construção civil e a dificuldade da mão de obra, temos procurado transferir ao máximo o uso de equipamentos disponíveis no mercado para algumas atividades, procurando minimizar a falta de mão de obra e, ao mesmo tempo, ganhando em produtividade/custos, ganhos de qualidade e principalmente na segurança do trabalhador'', completa Cardoso.
Antigas e novas soluções tecnológicas também estão nos canteiros de obras da construtora A.Yoshii. Além de suprir a falta de trabalhadores, a aposta garante mais velocidade na construção e a entrega das obras no prazo determinado. ''Essas soluções passaram agora a ser viáveis. Elas exigem custos de aquisição e treinamento de pessoal, mas é uma forma de conseguirmos aumentar a capacidade de produção trabalhando com a atual quantidade de mão de obra disponível no mercado'', afirma Leonardo Schibelsky, engenheiro da construtora.
Entre as principais tecnologias empregadas pelo Grupo Plaenge estão a estaca hélice contínua monitorada, que minimiza o uso da escavação manual direta, fazendo a produtividade desse sistema em relação ao convencional ser até quatro vezes maior, com segurança total do trabalhador; empilhadeira motorizada industrial e empilhadeira manual elétrica; balancin metálico com motor elétrico para pintura externa, que deixou para trás os balancins com conceitos antigos; tecnologia das cordoalhas engraxadas, que é uma técnica que permite manter o concreto sobre pressão o tempo todo, minimizando ao máximo a dilatação e contração do concreto.
Já a A.Yoshii empregou em suas obras o projetor de argamassa. ''Ao invés de aplicarmos a argamassa com a colher de pedreiro, a projetamos com a máquina, facilitando e reduzindo o tempo do ponto do acabamento'', disse Leonardo Schibelsky. Além disso a contrutora também emprega a pintura ''air less'', que substituiu o rolo de parede; a máquina de amarrar arame, que traz rapidez e menor deslocamento durante a execução do serviço, diminuindo o cansaço físico; e as pernas mecânicas, que evitam o trabalho de montagem e desmontagem de andaimes e, consequentemente, melhora a circulação dentro do apartamento.
Crescimento
Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), neste ano o setor estima crescer 6%, projeção superior ao PIB brasileiro. O otimismo é, sobretudo, devido ao Programa de Aceleração do Crescimento e os megaeventos esportivos. No último ano o setor cresceu 11% comparado a 2009.
Por outro lado, a Confederação Nacional das Indústrias, mostrou em pesquisa divulgada no fim do ano passado, que os empresários estão menos otimistas em 2011 devido à alta carga tributária e a escassez de mão de obra. Segundo o indicador, empresários e industriais esperam uma perda de ritmo da atividade do setor neste ano.
O estudo, que foi realizado com 393 empresas, mostrou que o indicador da expectativa para os próximos seis meses caiu de 65,3 para 60,8 pontos, numa tabela que vai de zero a 100.
Entre os motivos para o pessimismo estão o aumento da preocupação dos empresários com as condições financeiras das empresas e a competição acirrada deste mercado. Em seguida vem a tão comentada falta de mão de obra qualificada, que foi assinalada por 64% dos empresários. Com a carência de mão de obra, sobe o custo da mesma, fator esse apontado como o mais problemático por 30,2% dos participantes da pesquisa. Para 58% dos empresários, a carga tributária é considerada a principal ameaça à construção civil.

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