Atividades físicas simples, como uma caminhada, para a professora Rosângela André Pavão, 43 anos, significam momentos de muito incômodo e dor. Há dez anos ela luta contra a artrose. O problema, segundo ela, atinge a região do quadril e apareceu após uma luxação.
  A doença, como explica o médico ortopedista Leopoldo Hoffmann Storti, de Londrina, provoca a destruição progressiva dos tecidos – cartilagens – que compõem as articulações (parte do corpo que permite a mobilidade dos ossos), levando à instalação progressiva de dor, deformação e limitação dos movimentos. Até bem pouco tempo atrás, o tratamento era feito somente com anti-inflamatórios, corticóides, analgésicos e fisioterapias. A maioria dos casos, informa o médico, evoluíam para cirurgias como as de prótese de joelho e quadril.
  Agora uma nova tecnologia, desenvolvida na Alemanha, traz mais uma opção de tratamento. Um aparelho, o Pulsed Signal Terapy (PST), emite ondas eletromagnéticas que estimulam a regeneração da cartilagem em locais específicos. Há um ano, Leopoldo Storti trouxe para Londrina um dos oito equipamentos disponíveis no Brasil, o único no Paraná, e já obteve ‘‘excelentes resultados’’. Trata-se de um tratamento ‘‘totalmente não invasivo e indolor, e sem efeitos colaterais’’, garante.
  ‘‘Já tentei de tudo’’, resume a professora Rosângela que na semana passada realizou as 12 sessões de PST que lhe foram indicadas e está confiante. Cansanda dos tratamentos convencionais, ela disse que estava pesquisando novos tratamentos e gostou da proposta do PST. Na Europa, onde o método é bastante utilizado, existe mais de 150 mil pacientes tratados, até celebridades como a tenista alemã Steffi Graf. Leopoldo Storti destaca ainda que o PST está sendo utilizado por clubes esportivos famosos, como o Bayern de Munique e seleção olímpica alemã, na prevenção da artrose em seus atletas.
  O médico explica que a terapia baseia-se no princípio de que cada articulação em movimento gera ao seu redor um campo eletromagnético fundamental para a preservação das cartilagens. Ele lembra que as cartilagens não são alimentadas por vasos sanguíneos, mas por reações decorrentes da atividade eletromagnética gerada pela movimentação das articulações – o que as matém sadias.
  Nas pessoas afetadas por artrose, artrite e traumas, este campo é distorcido perdendo muito de sua capacidade natural promovendo a degeneração das articulações. Aí, o PST reproduz os impulsos eletromagnéticos gerados pelo organismo sadio e, com isso, estimula as células (condrócitos) a funcionarem o mais próximo possível do seu estado normal. Assim, de acordo com Storti: ‘‘dá-se início ao precesso de regeneração das cartilagens e da recuperação dos tecidos’’.
  Tempo - O tratamento exige de nove a doze sessões, dependendo do local a ser tratado. ‘‘Coluna cervical, dorsal, lombar, joelhos, tornozelos e cotovelos, utilizamos nove sessões. Nas regiões do quadril e ombro a indicação é para doze sessões’’, orienta. Cada sessão dura uma hora e deve ser feita diariamente. Em casos específicos é possível também a realização de até duas sessões no mesmo dia, mas com um intervalo de cinco horas.
  Storti informa ainda que a artrose é classificada em quatro graus de manifestação. De 1 a 2, o tratamento com o PST pode promover praticamente a cura da doença; no grau 3 o resultado é de boa melhora, mas ainda permanecem alguns sintomas. Já no grau 4, quase que sempre a indicação é cirúrgica, para a colocação de protese, então, a terapia promove uma melhora na dor e na qualidade de vida do paciente. Apesar do sucesso que vem obtendo com seus pacientes o médico alerta que a terapia ‘‘não faz milagres’’, por isso ele associa ao tratamento o uso de medicamentos de ponta, como as condroitinas e as glicosaminas, que agem na diminuição do processo degenerativo.
  Os resultados do PST, de acordo com Leopoldo Storti, não são imediatos. Eles começam a ser percebidos entre a sexta e a oitava semana após o tratamento, com a evolução da melhora se estendendo até o sexto mês. O efeito analgésico, porém, pode ocorrer já nos primeiros dias. ‘‘Há um estímulo ao funcionamento das células, mas é preciso dar a elas o seu tempo normal de recuperação’’, explica o ortopedista.
  Infelizmente, a terapia PST ainda não está acessível a todas as camadas da população, nem tem cobertura dos planos de saúde. O médico não quis revelar o valor, mas adiantou que o investimento compensa.
  O agricultor aposentado Hugo Leodegário Meyer, de Maracaí (SP), utilizou da terapia PST há quase um ano e está satisfeito com os resultados. Ele disse que sofria de dores na coluna há muito tempo e, de todos os tratamentos a que se submeteu, a PST foi a que apresentou melhores resultados. Em parte da região afetada ele se considera praticamente curado. No restante ele diz estar ‘‘mais confortável’’ e se prepara para a realização de mais três sessões, onde espera eliminar de vez o problema. ‘‘O tratamento tem um custo salgado, mas vale a pena’’, recomenda.

mockup