Seja no ônibus, no trajeto para a escola ou na tradicional caminhada pelo Zerão, um acessório se faz cada vez mais presente na vida dos londrinenses: o MP3 player, o ''walkman'' dos tempos modernos. No lugar das incômodas fitas cassetes, memórias com tamanho bem menor, com capacidade para armazenar até 18 mil músicas e baterias capazes de durar 20 horas.
A mania dos tocadores de música digital se espalha com facilidade, já que com pouco mais de R$ 100 é possível comprar modelos mais simples, com memória para guardar cerca de 40 músicas.
Assim como nos preços, os players também não escolhem idade. João Victor Miyoshe Ferreira, de dez anos, ganhou o seu faz um mês e não desgruda o fone do ouvido.
''Ainda não sei usar muito'', admite o estudante do ensino fundamental, que se diverte com as músicas internacionais que vieram junto com o aparelho, direto do Japão.
Quando a pergunta é sobre as vantagens do novo ''brinquedinho'', a resposta vem na ponta da língua: ''É bom porque é pequeno, a gente pode levar para qualquer lugar e tem boa durabilidade. Dura uns quatro dias, mesmo escutando bastante'', afirma.
O colega de prédio de João Victor, Thiago Guimarães da Silva, de 14 anos, ainda não tem o aparelho, mas sempre empresta dos amigos para não ficar de fora. ''Uso mais no colégio, até mesmo dentro da sala de aula. Umas cinco pessoas da minha sala usam'', diz Thiago. ''Não levo para a escola porque é proibido'', retruca João Victor.
A coordenadora do ensino médio de um colégio particular da cidade, Cássia Gimenes Bacaro, confirma a proibição do uso do aparelho durante as aulas. ''Nossa preocupação é dentro da sala de aula. Desde o ano passado, quando essa moda começou a pegar, estamos orientando os alunos. Eles são bem conscientizados, têm bom senso'', garante a coordenadora.
Cássia também ressalta o lado positivo dos MP3 players para os estudantes. ''No intervalo, a gente sempre vê grupos de alunos repartindo os fones de ouvido. Para quem está tenso por causa do vestibular, por exemplo, é bom. Deixa o aluno descansado, a música acalma''.
Quatro colegas de sala do terceiro colegial comprovam a tese da coordenadora. Isadora Fernanda Alvarenga, Nathália Daher Coser, Diego Miyabara e Francielle Furlanetto, todos de 16 anos, estão sempre de ouvidos conectados nos players. ''Ando muito a pé e onde vou, estou com ele. Gosto muito de música, mas não muito alto quando estou estudando'', pondera Isadora. Quem também não dispensa o player enquanto estuda é Francielle, que admite abusar dos decibéis: ''costumo escutar bem alto, mas não me atrapalha''.
Já Diego gostou tanto dos players, que comprou outro há cinco meses. O primeiro ele havia ganho há três anos, vindo do Japão. O mais antigo tem 512 megabytes, enquanto o novo, um iPod, tem capacidade de quatro gigabytes. ''O menor eu uso para escutar minhas músicas e o outro uso como pen drive, para carregar arquivos do computador''.
Carlos Gaetan, professor de fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), de 50 anos, costumava levar seu bom e velho rádio FM nas caminhadas diárias no Zerão. Ele aderiu à modernidade dos MP3 players, mas abre exceções se estiver acompanhado.
''Quando venho com alguém não trago, para poder conversar'', afirma. O repertório de Gaetan vai de sertanejo às músicas de balada, e não serve só para as atividades físicas. ''Quando quero dormir e tem muito barulho em casa, recorro a ele''.
O mp3 player não pode ficar de fora das caminhadas da pesquisadora Carolina Ferrocini, de 28 anos. ''Ajuda a motivar, além disso é leve, fácil de carregar'', afirma. Ela comprou o aparelho há um ano e meio nos Estados Unidos, e pagou US$ 99 na época, mas pretende adquirir um melhor mais pra frente.
Assim também pensa o estudante André Reis, de 22 anos, que possui um player de um gigabyte - cabem quase 300 músicas. A vontade de Reis é comprar um aparelho da marca mais vendida no mundo, o iPod, da Apple. ''O meu não é um genérico'', diz.

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