Teatro tenta sobreviver a genocído cultural
Teatro tenta sobreviver
a genocído cultural
A modernidade chegou ao teatro brasileiro com um atraso de mais de 50 anos. Foi só em 1943, com a estréia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, que surgiu no Brasil um texto teatral realmente moderno.
Até então, apesar de algumas tentativas isoladas para renovar-se, o teatro nacional permaneceu vinculado à estética do Século XIX, sob o reinado do astro. A análise é do crítico de teatro Sábato Magaldi, para quem, atualmente, sob a ótica da vanguarda, o teatro no Brasil nada deve ao mundo.
Para o crítico, neste século, apesar dos estragos da censura ditatorial, o teatro brasileiro conseguiu evoluir em consonância com o que se fazia nos centros europeus e norteamericanos.
Citando os comediantes cariocas, os grupos saídos do TBC de São Paulo, o Teatro Arena, o Oficina e a marcante estréia de Macunaíma, em 1978, dirigida por Antunes Filho e inaugurando a nova fase do encenador-criador, Magaldi refaz a criativa trajetória do teatro brasileiro neste século.
Às vésperas do ano 2000, ele aponta o nó que o teatro brasileiro continuará enfrentando por mais algum tempo: Enquanto os governos europeus e o norteamericano subsidiam fartamente os espetáculos, nosso governo liquidou uma eficaz política de cultura e permite que as companhias morram à míngua. Dentro da suposta democracia em que vivemos, o poder público está praticando um autêntico genocídio cultural, que nos fará entrar no próximo milênio de mãos mais vazias do que há um século.(AE)





