TC investiga obra 'fantasma'
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sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Joel Guedes<br> De Maria Helena 
Um investimento que teria custado cerca de R$ 70 mil, feito em 1987, em Maria Helena, está sendo investigado pelo Tribunal de Contas (TC) do Paraná. Trata-se de uma ponte de concreto, construída num local onde não existe rio. A obra incluiu Maria Helena na lista dos 33 municípios do Paraná onde, segundo o TC, existem mais de 50 projetos inacabados e sob investigação com suspeita de irregularidades.
A ponte ''fantasma'' em Maria Helena foi construída na gestão do ex-prefeito Marcílio Antônio da Silva. O projeto original previa a construção da travessia sobre o rio Marfim, localizado no limite com o município de Douradina. Na época, a obra foi orçada em R$ 70 mil, dinheiro liberado ao município pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Parte da ponte foi construída, mas nunca serviu à comunidade porque fica longe do rio.
Segundo alguns moradores, a intenção do ex-prefeito era a de construir uma represa no local. Mas primeiro construiu a ponte e depois percebeu que a represa era inviável.
O Tribunal de Contas já avisou que caso seja comprovada a suspeita de fraude, uma vez que a má aplicação do dinheiro já está comprovada, o responsável pela obra, no caso o ex-prefeito, será punido pela Justiça.
Para solucionar o problema do rio sem ponte, o prefeito que assumiu o cargo em 1993, Jesse Batista Corrêa, construiu no mesmo ano e com recursos do município, uma ponte de madeira sobre o Rio Marfim.
Corrêa, que venceu as últimas eleições e reassumiu a Prefeitura de Maria Helena no início desse ano, condena a obra fantasma. Para ele, é importante o Tribunal de Contas mostrar e investigar a possibilidade de fraude em obras dessa natureza. No caso de Maria Helena, lembra ele, ''muitas pessoas foram prejudicadas''. O ex-prefeito Marcílio Antonio da Silva não foi localizado pela Folha para comentar o assunto.


