Em 1947, Nelson Zaninelli, 75 anos, e outros 31 charreteiros passavam o dia no ponto na Alameda Manoel Ribas, próximo à esquina com a Rua Souza Naves, na Área Central de Londrina, à espera de passageiros para qualquer local da cidade. Zaninelli foi um dos primeiros a comprar um carro para atuar como taxista. Atualmente, ele divide o mesmo ponto com outros taxistas, ainda na espera por passageiros. Nestes 57 anos, Zaninelli viveu na pele a transformação do trânsito londrinenses, desde os tempos das carroças e ruas de terra até o complicado tráfego de hoje em dia.
Mesmo com as drásticas mudanças, o experiente Zaninelli considera tranquilo o trânsito de Londrina. A única ressalva é em relação aos dias de chuva. ''Então parece que todo mundo tira o carro da garagem, fica apertado e a turma reclama muito'', opina. Para ele, a sinalização evita as confusões do pesado tráfego de veículos nas ruas da cidade.
Apesar de não ser saudosista, o taxista ressalta a facilidade de conseguir passageiros na época da charrete de passageiros e nos primeiros anos do táxi motorizado, a partir de 1951. ''Todo dia tinha pelo menos umas dez corridas. Chegava a formar fila aqui no ponto, que era perto da rodoviária'', conta. Na cidade, calcula ele, mais de cem charretes disputavam os fregueses em diversos pontos da cidade.
Antes de comprar o primeiro carro, ele enxergava vantagens nas charretes em relação aos motoristas que já estavam motorizados. ''Em muitos lugares para baixo da linha do trem (atual avenida Leste-Oeste), o carro não ia por causa do barro. As corridas sobravam para as charretes'', rememora. ''Meia dúzia de guardas já tomavam conta de todo o trânsito da cidade'', acrescenta. As charretes eram usadas principalmente para transporte de passageiros, e não de carga. O ex-charreteiro destaca que eram dois lugares para passageiros e espaço para a bagagem na parte traseira da condução.
Para ele, a maioria dos acidentes ocorre por imprudência, principalmente dos motoqueiros. ''É difícil ter de carro com carro'', opina. O taxista fala por experiência própria. Apesar de estar há 57 anos no trânsito, ele se envolveu em ''três ou quatro'' acidentes. ''A única vez que eu paguei alguma coisa foi uma lâmpada porque eu entrei errado aqui no ponto mesmo'', destaca orgulhoso.
Nascido em 15 de novembro de 1929 em Birigui, no interior paulista, Zaninelli veio logo cedo para Londrina. Na cidade, casou com Gilda e teve seis filhos. Um deles, Luís Sérgio, hoje também é taxista, no mesmo ponto onde o pai trabalha desde a década de 1940.

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