Tática de adolescentes mais usual é insistência
A adolescente Raíssa Saraiva Ferreira, 15 anos, pediu aos pais na última semana um dos ''tênis da moda'' como presente de Natal. Tênis que pode custar de R$ 530,00 a R$ 700,00, dependendo da quantidade de molas que existem no seu sistema de amortecimento.
Mas este foi apenas o pedido mais recente. Nas últimas semanas ela já pediu um computador novo, uma câmera fotográfica digital e uma webcam. ''Cada semana peço um presente diferente, já pedi um monte, mas ainda não me decidi'', conta.
Na dúvida, Raíssa utiliza uma tática especial, usada na verdade pela maioria dos adolescentes, para conseguir o que quer a insistência. ''Estou insistindo ainda. Acho que mais um pouquinho eu consigo'', conta, confessando que nem sempre os pais cedem aos seus apelos. Apesar disso, foi insistindo que conseguiu o quarto decorado como presente de aniversário em agosto. ''Finalmente consegui'', comemora.
Já os olhos da irmã, Nathalia Saraiva Ferreira, 9, brilham ao entrar em uma loja de brinquedos. E mais ainda ao descobrir o brinquedo que deseja, uma boneca Barbie, que vem com um gatinho e outros três filhotinhos. ''Meu pai falou que vai ver se consegue comprar'', diz. A mãe, Rosângela Ferreira, 40, ao ver o encanto da filha com os acessórios da boneca, confessa: ''Filha, você sabe que se a gente pudesse você teria um quarto de princesa''.
Rosângela admite que não é fácil resistir aos apelos das filhas. ''Dependendo do que pedem a gente faz o possível para satisfazer. Se tiver dinheiro e a gente puder comprar, a gente compra, desde que não seja 'um absurdo' ou algo supérfluo'', afirma. Caso, por exemplo, do computador da filha, ''que está funcionando normalmente e não tem porquê trocá-lo''.
Para a dona-de-casa Zelinda Pereira, 30, mãe de Bárbara Theodora, 10, e Amanda Caroline, 5, valem as boas notas na escola e a ajuda em casa na hora de presentear. E ela ainda conta com a compreensão das meninas: ''Para a Amanda, se eu compro outra coisa, não tem confusão'', afirma.
Mesmo com a filha mais velha, Zelinda não tem problemas em contentá-la, a menina prefere sapatos e roupas como presente. ''A gente dá presente, sim, mas não é um 'drama'. E não dá para comprar tudo o que elas pedem, não tanto pelo dinheiro, mas para ensiná-las que é preciso batalhar para ter as coisas''. (C.P.)





