Tarefas ajudam criança a criar responsabilidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de setembro de 2006
Agência Estado 
Comer, dormir, brincar, ir à escola e chorar. Parece muita coisa para uma criança de três anos de idade, mas talvez ela esteja precisando de mais responsabilidades. Dar tarefas para os pequenos, aos poucos, pode contribuir com o desenvolvimento de sua auto-estima. Mas o ideal é passar tarefas adequadas à sua idade e ao seu desenvolvimento. ''Pedir coisas além da capacidade das crianças pode fazer com que elas se sintam frustradas e desistam de cumpri-las'', explica a psicopedagoga Betina Serson.
As tarefas devem fazer parte do dia-a-dia. A partir dos três anos de idade, é recomendável que a criança adquira o hábito de se vestir após o banho, carregar a mochila até a escola e arrumar os brinquedos após espalhá-los pela casa. Betina aconselha a supervisão dos pais durante a execução das tarefas. E toda missão cumprida merece um elogio. ''Eles são mais importantes do que cobrar o que não foi feito'', diz a psicopedagoga.
Deixar de passar pequenas responsabilidades aos pequenos pode trazer problemas futuros, como insegurança e falta de auto-estima. ''Muitas vezes os pais superprotegem os filhos e, depois de um certo tempo, querem que eles sejam independentes e responsáveis. No entanto, se esquecem de que não ajudaram os filhos a serem independentes e seguros'', alerta Betina.
Algo que favorece o cumprimento das tarefas é tratá-las como algo natural, não como uma obrigação. O designer de óculos Francisco Ventura, de 46 anos, sempre procurou passar responsabilidades ao seu filho Felipe, de 15. ''Por ser filho único, temia que ele ficasse mimado ou arrogante'', diz Ventura. Aos cinco anos de idade, o garoto começou a ajudar os pais na loja da família, posando como modelo para o calendário da ótica ou realizando pequenas vendas. ''Foi no tempo certo'', diz Felipe.
É preciso levar em conta não apenas a idade, mas o desenvolvimento do pequeno. ''Na década de 1950, era comum as crianças ajudarem os pais nas tarefas domésticas, mas isto mudou'', diz Betina. ''O mais importante é que as tarefas não prejudiquem a vida social e os estudos da criança'', completa.


