Há catarinenses também na Câmara dos Vereadores de Curitiba. Dos 38 parlamentares, cinco nasceram no estado vizinho: Jorge Bernardi (PDT), Nely Almeida (PSDB), Dona Lourdes (PSDB), Celso Torquato (PSDB) e Jairo Marcelino (PDT). Este último vereador, inclusive, nasceu no município de Curitibanos, no Norte de Santa Catarina. Tanta coincidência por pouco não o fez um curitibano de nascença, Jairo Marcelino, de 64 anos, é curitibanense.
''Meu pai veio para cá para trabalhar e a família veio junto. Eu tinha dez anos. Terminei o ginásio aqui e depois fui trabalhar como cobrador e motorista de ônibus. Fui lançado como candidato dos motoristas, em 1982'', conta Jairo Marcelino, informando que, em 2002, uma pesquisa apontava que 5% da população curitibana era de catarinenses. ''Me sinto um curitibano. Esta é uma cidade acolhedora e tenho um grande apego a minha comunidade, que é da região Norte da cidade e que me apóia. Não sei se algum catarinense votou em mim'', disse ele, informando que havia aqui, há de dez anos, uma associação de catarinenses.
A vereadora Nely Almeida (PSDB), de 72 anos, natural de Florianópolis, também veio para Curitiba ainda na infância. ''Meu pai veio para acompanhar a minha irmã mais velha, que ía estudar Medicina. Lá em Florianópolis não tinha o curso, apenas o de Farmácia'', lembra ela, que nunca perdeu o sotaque de ''manezinha da ilha''. ''Falo um pouco como portuguesa, as palavras saem chiadas, rapidinho mesmo. Falo numa velocidade galopante. Na hora do discurso é uma gozação, os eleitores riem porque não entendem muita coisa que falo'', assume Nely, dizendo que também não tem contato com eleitores ''catarinas''.
''Cheguei aqui, em 1952, com a minha família, a cidade tinha 250 mil habitantes. Meu pai via Curitiba como uma cidade progressista e queria nos dar boa edução e oportunidades'', recorda o vereador Celso Torquato, de 61 anos sendo 54 deles vividos em Curitiba. O parlamentar é natural de Rio do Sul, e se estabeleceu no bairro do Portão, depois de morar na Vila Fanny e no Alto da XV. ''Eu e meus irmãos trabalhamos no comércio. Lembro que nas lojas de confecções, como Casa Edite e Casa Globo, 70% a 80% dos funcionários eram catarinenses'', resgata ele, que ingressou no primeiro mandato em 1992.
O vereador Jorge Bernardi (PDT), 51 anos, natural de Herval d'Oeste, veio para Curitiba, em 1975, onde cursou Jornalismo e Direito e morou com uns primos no bairro do Cajuru. Em 1982, iniciou seu primeiro mandato na Câmara. Ele lembra que um livro sobre os catarinas no Paraná, escrito pelo jornalista Dante Medonça, foi lançado em 1989, época que foi realizado um recadastramento e levantado o número de 200 mil eleitores catarinenses em Curitiba.
''Amo essa cidade. Meus filhos nasceram aqui. Curitiba me deu oportunidade para estudar, exercer minha profissão. Se passo três dias fora, já sinto saudade'', diz o verador. ''Na época de estudante, éramos mais bairristas, existia a Associação de Estudantes de Santa Catarina e até uma boate onde nos encontrávamos. Agora, estamos mais enraizados, há um identificação grande com Curitiba'', pontua ele, revelando que pensa em voltar a morar no estado de origem depois que se aposentar, numa casinha na praia em Florianópolis. (F.G.)

mockup