Duas profissões bem diferentes e um mesmo sentimento une o chef de cozinha Hermes Custódio e o técnico de basquete José Eduardo ‘‘Leitinho’’ Vicente. Os dois ‘‘forasteiros’’ se encantaram por Londrina, aqui fixaram residência e hoje engrossam com vontade o coro de Parabéns a Você.
  Radicado na cidade há cerca de dois anos e meio, o técnico da Inesul/Londrina viu sua carreira dar uma guinada justamente em Londrina. Por aqui, Leitinho passou de jogador a técnico - posição na qual levou a seleção londrinense à final do Campeonato Paranaense de Basquete, no início do mês.
  Paranaense de Wenceslau Braz, Hermes Custódio estava morando e trabalhando em Curitiba há 10 anos quando foi convidado para assumir a cozinha do restaurante-bar Estação, há cerca de três meses. Pouco tempo antes, o jovem chef tinha feito um ‘‘test-drive’’ de 10 dias não só no espaço gastronômico, mas também na cidade. ‘‘Nem imaginava que seria convidado a ser o chef, mas lembro que quando fui embora pensei, será que vou demorar muito para voltar pra cá?’’, conta Hermes, que não titubeou em aceitar a mudança.
  Paulistano, Leitinho jogou em times de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul antes de receber a proposta de atuar em Londrina. ‘‘Conhecia a cidade pela forte torcida quando jogava por aqui’’, lembra o técnico, que se surpreendeu ao receber o convite para comandar a equipe.
  ‘‘Sempre pensei em ter uma escolinha de basquete, era o meu projeto de gaveta, mas daí a assumir o time adulto foi mesmo uma surpresa’’, explica o técnico. Mas o sonho de ensinar os pequenos não ficou guardado muito tempo. Pelo menos duas horas por semana ele reserva para treinar gratuitamente crianças e adolescentes do Colégio Estadual Marcelino Champagnat. ‘‘É meu projeto social, uma forma de retribuir tudo o que o basquete me proporcionou’’, conta.
  Às segundas e quartas, quando não está viajando com o time, dedica seu tempo para ensinar cerca de 60 crianças e adolescentes - meninos e meninas entre 10 e 18 anos - as técnicas do jogo e como fazer a bola chegar ao cesto com precisão. ‘‘Mas eles também têm aprendido a lidar uns com os outros e a se respeitar’’, diz o técnico
  ‘‘E tem muita gente boa na turma’’, adianta Leitinho, impressionado com os jovens talentos que vem percebendo nos últimos três meses, desde que iniciou o trabalho voluntário no colégio.
  ‘‘Londrina tem o poder de enfeitiçar as pessoas’’ avisa o técnico. ‘‘Não me vejo mais longe daqui’’, confessa. ‘‘Quando viajo, estou sempre contando as horas pra voltar’’, admite Leitinho nas visitas aos pais em São Paulo e também nas viagens profissionais. E não é só para agradar a aniversariante. ‘‘Fiz grandes amigos na cidade, e uma amiga já me disse que tenho um espaço reservado no consultório dela’’, conta Leitinho, que está a um ano de se formar em Fisioterapia.
  Mas ele também não esconde que nem tudo são flores. Do mesmo jeito que as pessoas parabenizam o trabalho, também cobram. ‘‘Preciso dar explicações, mas sinto muita aceitação e respeito’’, afirma Leitinho, que não tem mesmo como se esconder com seus dois metros de altura.
  Com a esposa estilista - que também empresta seu talento para confecções de Londrina e região - e os dois filhos, o técnico já tem uma top lista dos locais que costuma frequentar. ‘‘Nós gostamos muito do Arnaldo (lanches), não é?’’, pergunta para o caçula Matheus, que concorda rapidamente. ‘‘O Parque e o Zerão lembram muito o Ibirapuera’’, diz.

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