Ao contrário do que se imagina, boa parte dos bailarinos em formação da Escola Municipal de Ballet não são oriundos das classes mais altas, onde a aceitação pela opção da dança deveria ser mais tranquila. Os meninos entrevistados, por exemplo, foram todos descobertos pela Rede da Cidadania ou pelos postos avançados da escola na periferia.
''Acredito que as famílias carentes enxerguem o ballet como uma chance de melhorar de vida, ao contrário das classes mais altas'', opina o professor Wagner Rosa referindo-se às dificuldades de uma carreira artística e a baixa remuneração dos bailarinos.
Segundo o diretor da Escola Municipal de Dança de Londrina, Leonardo Ramos, as escolas avançadas nos bairros periféricos surgem como uma opção de recrutamento de novos talentos. Hoje, a escola administra aulas de ballet em quatro bairros da cidade além das aulas prestadas através da Rede da Cidadania. ''Mais que o trabalho de responsabilidade social, nosso principal objetivo com essas unidades é identificar pessoas com vocação'', afirma.
Talento como o do pequeno Juarez Neto, 7 anos, morador do conjunto Jardim Santa Fé (Zona Leste). Tímido, miúdo e de poucas palavras, ele está na idade certa para iniciar na dança. ''Eu sempre via minha irmã mais velha e achava bonito, aí decidi fazer também'', conta.
Em parceria com a empresa Milenia Agro Ciências, patrocinadora do Ballet de Londrina, a escola abriu mais uma classe no Jardim Eucaliptos (Zona Leste), onde fica a sede da empresa. Mais de oitenta crianças se inscreveram. As aulas serão dadas no salão paroquial do bairro. (A.S.)

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