Kraw PenasA arquiteta Daniela Slomp Busarelo seguiu a carreira do pai, com quem hoje divide o escritórioAlém de pais, muitas vezes eles são amigos, heróis, corujas e até um pouco mães. Imagine agora se, além de tudo isto, seu pai ainda for o seu chefe. Complicado? Às vezes. Entre muitos prós e poucos contras, alguns curitibanos convivem com esta rotina estranha, onde profissional e pessoal caminham juntos.
A advogada Rogéria Fagundes Dotti Dória, 26 anos, filha do jurista e professor universitário René Ariel Dotti, diz que se sente uma ‘‘funcionária diferente’’ no escritório. Desde que estava no 3º ano da faculdade ela trabalha ao lado do pai.
‘‘Sou a primeira a chegar e a última a sair’’, conta Rogéria. ‘‘Sinto que tenho uma responsabilidade maior e sou mais cobrada tanto pela sociedade quanto por meu pai’’. Atualmente os dois chegam a trabalhar juntos quase que doze horas diárias, ele na área Criminal e ela na área Cível.
Apesar de muitos pensarem o contrário, Rogéria garante que não sofreu nenhuma influência do pai, que sempre a deixou à vontade para decidir sua profissão. ‘‘Sempre pensei em fazer jornalismo ou direito, porque gosto muito de ler e escrever’’, explica. ‘‘Meu pai só soube que eu havia optado pela advocacia no último momento’’.
Se não existiu influência, ao menos Rogéria admite que houve uma grande ajuda no início da carreira. ‘‘Naquela fase em que é difícil conseguir um estágio ou ingressar no mercado’’, conta. ‘‘Aí o sobrenome pesa tanto para conseguir a colocação quanto para aumentar a responsabilidade’’.

Kraw PenasO jurista René Ariel Dotti e sua filha Rogéria chegam a trabalhar juntos até 12 horas por diaApós seis anos de convivência profissional, Rogéria não vacila ao enumerar as principais lições que aprendeu com seu pai. ‘‘Ele me passou noções muito fortes de ética, que se refletem numa correta postura ao advogar’’, afirma. ‘‘No lado pessoal, sempre aprendi com ele a aceitar os grandes desafios’’, concluiu.
Desafios também são a ordem do dia na casa (e no escritório) da família Baptista, onde pai e filho dividem a mesma profissão - o jornalismo - e a mesma empresa - uma assessoria de imprensa.
O pai Ayrton e o filho Rodrigo tomam diariamente o café-da-manhã juntos, enquanto lêem os principais jornais do dia. ‘‘Um bom furo de reportagem pode surgir neste momento, quando troco idéias com o meu pai, antes de chegar na redação’’, conta Rodrigo.
Ele lembra que, durante sua infância, o horário mais sagrado em casa era o do Jornal Nacional. ‘‘Se fizéssemos bagunça naqueles minutos, voava um chinelo em nossa cabeça’’, conta. Nesta época ele já trabalhava como office boy na empresa do pai, percorrendo as redações dos jornais diariamente. ‘‘Neste período eu sequer imaginava que um dia teria a mesma profissão que ele’’, garante.
‘‘Hoje tenho certeza de que teria me tornado jornalista de qualquer jeito, mesmo que meu pai tivesse outra profissão’’, diz Rodrigo. ‘‘Acho que tracei os mesmos caminhos sem querer, talvez por uma influência genética’’, brinca.

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