TACADA PERFEITA - Jaguapitã vira a capital nacional da sinuca
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sábado, 29 de outubro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Preso em 1807 por motivos políticos, Mingot, um ex-capitão da infantaria francesa, encontrou no bilhar uma atividade que o ajudava a passar o tempo na cadeia. Reza a lenda que, ao ser avisado de que ganharia a liberdade, Mingot pediu para ficar um pouco mais no presídio, tamanha era a paixão que havia desenvolvido pelo jogo. O militar nunca imaginaria que, quase 200 anos depois, a paixão contagiaria o mundo a ponto de o esporte se tornar tão popular quanto o futebol no Brasil e encontrar, em Jaguapitã, uma pequena cidade do interior (a 46 km ao norte de Londrina), a capital nacional da indústria do bilhar.
Jaguapitã, próxima de completar 58 anos de existência, tem apenas 12 mil habitantes, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Carlos Augusto Santos Faria, quase não há desemprego, graças ao agronegócio o carro-chefe da economia jaguapitaense e à indústria, que conta com dois frigoríficos, quatro metalúrgicas, três madeireiras e nada menos do que 70 isto mesmo, 70 fábricas de mesas de bilhar, empregando, oficial e diretamente, pelo menos 700 pessoas.
Entre as centenas de envolvidos com a indústria do bilhar estão os funcionários da Cruz & Vieira Norte, a mais antiga fábrica de mesas de sinuca da cidade. Fundada por Levi Vieira e Nestor Cruz, a indústria nasceu como uma opção de renda para os então vendedores de chapéus de Jaguapitã, que assistiam inquietos ao declínio do negócio. ''Meu pai e meu tio estavam tendo dificuldades para vender chapéus quando o dono de um bar de uma cidade da região pediu para que eles trouxessem uma mesa de pebolim para ele. O jogo foi arranjado e rendeu um bom dinheiro para os dois. Logo eles perceberam que deveriam mudar de ramo'', explica o atual dono da Cruz & Vieira Norte, Roberto Vieira.
Ainda de acordo com o empresário, Levi e Nestor rapidamente diversificaram a distribuição de jogos, chegando, em 1968, à venda de mesas de bilhar. A produção e oficialização da primeira fábrica da cidade se daria no ano seguinte. ''Os dois contrataram alguns marceneiros e começaram a fazer experiências para fabricar mesas de bilhar. Desmontaram uma e foram copiando até acertar'', relembra Vieira.
Hoje, um período considerado de vacas magras pelo empresário, a fábrica monta entre 20 e 30 mesas por mês, além de providenciar a manutenção de igual quantidade no período. Os 30 funcionários ficam responsáveis pelos consertos e montagem das mesas, produzidas com quase todo o material comprado de outros Estados. ''A pedra, usada na superfície da mesa, vem de Santa Catarina. As bolas e o tecido são de São Paulo. Os tacos são comprados em Rondônia'', lista Vieira.
Cada mesa é produzida a um custo aproximado de R$ 1,5 mil. Mas negócio bom não é vender o jogo, e sim locá-lo para bares e salões. Antônio Domingues Neto, dono da fábrica Del Rey, por exemplo, tem cerca de mil mesas locadas em várias partes do País, desde o Paraná até Rondônia e Mato Grosso. ''Os negócios já foram melhores. Hoje, estou com cerca de 300 mesas paradas'', conta.


