Um dos maiores desafios do mundo moderno é conciliar o desenvolvimento com a preservação do meio ambiente e o bem estar social. Ser sustentável hoje em dia deixou de ser uma opção para se tornar necessidade nas empresas, nas políticas públicas e no dia-a-dia das pessoas.
A preocupação com a sustentabilidade começou, em escala global, na década de 1970, mas foi só em 1987 que seu conceito foi definido pela norueguesa Harlem Brundtland. Segundo ela, sustentabilidade significa manter o desenvolvimento atual sem comprometer as necessidades de gerações futuras.
O tema ganhou força a partir da Conferência das Nações sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, quando ficou evidente que os recursos oferecidos pelo planeta Terra eram limitados.
O compromisso assumido por representantes de mais de 180 países na Rio-92 mudou a forma de pensar e agir de boa parte da sociedade brasileira, mas a prática demonstra que há ainda um longo caminho a ser percorrido. O acordo assinado entre as nações ficou conhecido por Agenda 21.
"A Agenda 21 nada mais é que um programa de ações para proteção do planeta e desenvolvimento sustentável. Um dos objetivos do documento é tornar a sustentabilidade viável no cotidiano das pessoas, por meio da criação de políticas públicas e das estruturas necessárias", explica Carlos Alberto Hirata, professor de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e ex-chefe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O deputado estadual e ex-secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, acrescenta que a Agenda 21 trouxe a dimensão social para o campo ambiental. "O ambiente não é só técnico-biológico; ele significa casa, trabalho, salário, renda e comida", define o deputado.

Competitividade
O desenvolvimento sustentável chegou também à iniciativa privada, que precisou se adaptar a essa nova realidade. Vinte e dois anos após a Rio-92, valiosas mudanças foram incorporadas por parte das empresas brasileiras. Mais do que consciência socioambiental, ser uma empresa sustentável hoje é questão de eficiência e competitividade.
O último levantamento do Instituto Akatu – cujo lema é Consumo Consciente para um Futuro Sustentável – aponta que os consumidores brasileiros estão mais conscientes quando o assunto é sustentabilidade. O documento revela também que os cidadãos exigem soluções mais verdes das empresas e ações sustentáveis que vão além do marketing e da propaganda.
De acordo com a pesquisa, cerca de um terço dos consumidores é capaz de perceber as múltiplas dimensões da Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Parcela significativa da população está atenta à relação das empresas com os funcionários, com os direitos humanos, a ética e o meio ambiente.
Ainda de acordo com o levantamento, a maioria dos consumidores (53%) concorda que as empresas devem ir além do que é exigido pelas leis, buscando gerar mais benefícios para a sociedade. Foram entrevistados 800 brasileiros das classes A, B, C e D, moradores de áreas urbanas de 12 capitais ou regiões metropolitanas.
Cientes desta realidade, as empresas têm buscado adotar práticas sustentáveis na produção de bens e serviços. Os avanços vão desde a mudança de práticas diárias (redução do consumo de água, energia e papel) até a implantação de tecnologias limpas, que diminuem o uso dos recursos naturais.

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