Acelerar o processo de construção de casas populares com a diminuição do gasto de material e emprego de menos mão de obra. Este é o resultado de mudanças no processo construtivo implementadas pela construtora Artenge, que tem 46 anos de história. "Trabalhamos com formas metálicas e paredes de concreto aerado. O diferencial é que elimina ao menos duas partes do processo, agiliza a obra e necessita menos mão de obra em um setor que tem dificuldade de contratar", afirma o diretor técnico da empresa, Ozires Talai.
De acordo com ele, o processo consiste em preparar a estrutura da parede em fôrmas e, no dia seguinte, desenformá-las. Depois disso, resta fazer acabamento e pintura. O novo método foi aplicado, recentemente, e com sucesso, nas obras de um conjunto popular do município de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina).
Segundo Talai, além das próprias inovações, o setor de construção civil está passando por adaptações em seus processos devido à Norma 15.575, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), publicada em meados do ano passado. Essa norma determina novos parâmetros para edificações, como desempenho acústico, térmico, durabilidade, garantia e vida útil, e determina um nível mínimo obrigatório para cada um deles.
"Desde o projetista, a norma estabelece as responsabilidades pela durabilidade do projeto, entre 40 e 50 anos", explica Talai. Na opinião do diretor, a grande dificuldade das empresas, agora, está em atender as exigências enquanto os fornecedores não têm materiais necessários, como, por exemplo, para a parte acústica. "Um dos itens é a esquadria. Desde o nível mínimo, a norma determina uma esquadria com vidro duplo, o que aumenta a qualidade das construções, mas, em um primeiro momento, vai ter aumento de custo", avalia.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon- Norte/PR), Osmar Alves, alerta que as normas devem ser aplicadas desde as obras populares até as de alto padrão. Segundo a ABNT, a norma "estabelece as responsabilidades de cada um dos atores ligados a uma edificação, como construtores, incorporadores, projetistas, fabricantes de materiais, administradores condominiais e os próprios usuários".

Economia
Em busca de um modelo de processo construtivo que permitisse controlar toda a quantidade de materiais necessários para a obra, simular planejamentos com interface gráfica e evolutiva, e ter controle em tempo real da obra, a construtora Thá adotou em suas obras o Building Information Modeling (BIM). Através dele, a empresa pretende, entre outras coisas, "ter um protótipo viável, modelado e parametrizado, com as informações necessárias para a integração dos bancos de dados dos projetos, como planejamento, orçamento, controle de obra e qualidade".
Em visita a um dos três empreendimentos da Thá em Londrina, o Victoria Parque, situado na região Sul, próximo à Gleba Palhano, pudemos notar empenho, inclusive, na facilitação do descarte de resíduos. O diretor de engenharia da construtora, Gilberto Kaminski, acrescenta: "Todas as ações de projeto buscam otimizar e economizar o uso de recursos renováveis e não renováveis, além da diminuição da geração de resíduos", afirma.

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