Roldão Arruda
Especial para a Folha
De São Paulo
Houve um tempo em que uma das características mais notáveis de Lodrina e da região ao seu redor foi o espírito de tolerância, a abertura para todos que vinham tentar uma chance na vida. Isso chamou a atenção dos intelectuais franceses que passaram por aqui há mais de 60 anos. Um deles cita o exemplo religioso – bastante oportuno nesses tempos em que grupos religiosos se insultam aqui e ali.
O sociólogo Paul Arbousse Bastide notou que em 1935 a cidadezinha de pouco mais de 3 mil habitantes tinha uma igreja católica, a cargo de três padres, e quatro igrejas protestantes – Luterana Alemã, Presbiteriana Independente Brasileira, Metodista Brasileira e Evangélica Japonesa. Viviam na cidade dois pastores, um alemão e outro brasileiro, além de um ‘‘pregador leigo, de cor preta’’, filiado à Igreja Presbiteriana. (Bastide não dá o nome desse homem negro, mas é provável que esteja se referindo ao futuro reverendo Jonas, destacada figura da história protestante em Londrina).
Depois de relacionar as igrejas, o autor do texto comenta: ‘‘Esta simples enumeração permite adivinhar a que ponto as influências, crenças, hábitos se misturam sem, de resto, se chocarem’’.
Esses agrupamentos religiosos refletiam, é claro, os agrupamentos sociais e étnicos. Pierre Mombeig vê, na mistura de povos que ocorria aqui, a consolidação da pátria brasileira. Diz: ‘‘Os italianos esquecem as suas ingratas colinas calcáreas, onde a água se vende a preço de ouro; os japoneses encontram, finalmente, a vastidão do espaço; e os poloneses entrevêem o fim de sua miséria. Ao calor das derrubadas, as disputas de raça e os preconceitos europeus se fundem numa nova comunhão á a da pátria brasileira’’.

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