Guaratuba - Um projeto inédito no Paraná de preservação dessa vegetação já mostra resultados práticos na Praia Brava de Guaratuba. No início de 2007, o surfista guaratubense Marcio Oderawagen, que por dez anos surfou profissionalmente, resolveu reunir amigos não apenas para pegar uma onda. Ao ver a praia sendo devastada por veranistas que usavam a restinga como estacionamento e pousada, fundou a Associação de Surfe de Guaratuba para ter voz na luta para preservar o local.
  O primeiro passo foi trabalhar incansavelmente para isolar uma área de 1,5 mil metros. Ao receber como doação antigos postes de eucaliptos da Copel, cercou parte dessa área com o auxílio dos amigos, colocou lixeiras e placas orientativas e em dois anos já é possível ver que o esforço para preservação da orla valeu a pena. Ali, a restinga está protegida e as dunas já alcançam mais de um metro de altura.
  ‘‘Obtivemos um avanço em dois anos, até mais rápido que esperávamos’’, comemora Oderawagen, enquanto entusiasmado mostrava outras espécies plantadas ali que cresceram e com elas chegaram as corujas-buraqueiras, aves típicas que embelezam o cenário. ‘‘A natureza está vivendo, está brotando. Sabemos da importância dessa preservação, pois a natureza é um ciclo e esse ciclo não pode ser quebrado. A restinga ajuda na contenção do mar e se não cuidar disso aqui, a praia enche de buracos, não se forma dunas e depois ela vai querer o que é dela novamente ’’, emendou o presidente da Associação de Surfe de Guaratuba.
  A associação conta com 500 surfistas e Oderawagen, com eles, coordena mutirões de limpeza na praia e projeta estender a área de preservação até a divisa com Santa Catarina. ‘‘Assim teremos praia para toda vida’’, encerrou, cheio de esperança. (D.R.)

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