Especial para a Viva

Marcelo Almeida




Acima o surfista Willian de Oliveira. Abaixo, da esquerda para a direita Alex, Peterson Rosa, Jihad e o patrocinador Juca Barros

Denis Ferreira Netto




Tudo indica que em breve o Paraná terá novos grandes campeões de surfe. Com um litoral pequeno e de ondas fracas, o estado tem revelado uma geração de atletas de alto nível competitivo. Foi-se o tempo que surfista era sinônimo de vagabundo. Escolados nas ondas do pico de Matinhos, com estágios na Ilha do Mel e em algumas praias de Santa Catarina, alguns garotos têm provado, com resultados obtidos em campeonatos dentro e fora do estado, que estão a ponto de se profissionalizar.
No final do ano passado, os jovens surfistas Willian de Oliveira, Gil Cordeiro, Alex Lati e Jihad Khodr, todos de Matinhos, participaram de um tagteam, campeonato de colégios, em Camboriú. Saíram vitoriosos, derrotando as melhores equipes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Voltaram dessa barca com troféus, pranchas, kits e as tão sonhadas passagens para o Peru. O pequeno Jihad, com apenas 13 anos, foi eleito a maior revelação de surfe do sul do país.
Sempre presentes em competições, eles se animaram para ir cada vez mais longe. Os patrocinadores também passaram a investir mais nos novos atletas, abrindo as portas para o Circuito Amador Brasileiro. Segundo o representante da Town&Country, Juca Barros, o Paraná tem bons surfistas que só precisam de apoio para chegar ao profissionalismo.
Foi pensando assim que Juca, juntamente com os tops Peterson e Maicon Rosa, contrataram Alex Lati, já conhecido pela qualidade de seu surfe, e o pupilo de Peterson, Jihad Khodr. Como surfistas amadores eles não têm direito a salário, mas recebem tudo que precisam para correr quantos campeonatos aparecerem, desde alimentação até passagens de avião.
Com o surfe no sangue, Jihad já decidiu o futuro. ‘‘Nasci para isso’’, diz com convicção. Sem pensar duas vezes o favorito de Peterson conta a trilha que pretende seguir: ‘‘Quero ser campeão de todas as categorias e me profissionalizar aos 16 anos’’.
Willian de Oliveira, campeão paranaense em 1996, é um prodígio no esporte. Ele dá verdadeiros shows nas competições em que participa, com manobras que começam no outside, bem longe da praia, e vêm até o raso, sempre garantindo lugar nas finais. Patrocinado pela M.C.D., uma marca internacional de roupas para esportes radicais, ele é considerado um atleta exemplar; apresenta bom rendimento na água, estuda (quando não tem onda) e tem um grande caráter.
‘‘Um verdadeiro furacão na categoria Junior, Willian não deixa para ninguém’’, assim o definiu recentemente um juiz de campeonato, num evento em Santa Catarina. Também fazem parte da lista de possíveis campeões Alex Lati, Gil Cordeiro, os irmãos Rodrigo e Alex Lima, Fábio Polaco, Pinga, Porvilho e André Portugal.
Infelizmente, alguns atletas acabam se afastando do profissionalismo, seja por falta de incentivo ou patrocínio, que às vezes significam a mesma coisa. Portugal é um exemplo; reconhecidamente com chances de se dar bem, ele desistiu das competições.

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