Superlotação e atraso nos ônibus da RMC
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quem mora em municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e precisa do transporte coletivo para trabalhar na Capital sabe que os horários de pico têm um significado: superlotação. Entre as principais reclamações está a falta de ônibus, um fator que gera desconforto, atrasos e, às vezes, até acidentes. Problemas que devem continuar a fazer parte da rotina desses passageiros pelo menos até o final deste ano.
Para Vanusa Machado Bonfim, 30 anos, auxiliar de cozinha e moradora de Rio Branco do Sul, há poucos ônibus que geralmente atrasam e sempre estão lotados. ''Se eu perder um à noite para voltar de Curitiba, tenho que esperar quase uma hora. A gente sofre com esses ônibus'', reclama Vanusa.
Segundo o ex-cobrador da linha Rio Branco do Sul/Curitiba Claudemir Fernandes, morador de Rio Branco do Sul, há normalmente na cidade muitos protestos pelo número reduzido da frota. ''Sempre quebram ônibus como protesto aqui'', conta o ex-cobrador.
De acordo com João Batista Chaves, 37, serralheiro, morador de Almirante Tamandaré, a lotação é o principal problema. ''Sempre tem empurra-empurra para entrar nos ônibus. Vou todo dia para Colombo com o veículo lotado'', relata. Os problemas citados pelos usuários do transporte coletivo na RMC também fazem parte do cotidiano de moradores de Araucária.
Antonio Erasmo, supervisor do terminal de Araucária, conta que há 250 linhas no município, utilizadas diariamente por cerca de 9 mil pessoas. Para a estudante Chaiane Suellen Cavalcanti, 20, no município os ônibus sempre estão no horário, mas sempre lotados.
Segundo a Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), que coordena a Rede Integrada de Transporte (RIT), a frota de ônibus não deve aumentar neste ano. De acordo com a Urbs, haverá aumento apenas em 30 alimentadores que circulam na região sul da Capital, deixando de lado milhões de passageiros que utilizam o transporte coletivo na RMC.
A Capital tem integração com 13 municípios satélites. Há uma média de 2,3 pessoas transportadas nesta região nos dias úteis. Entre este total, 1,1 milhão são usuários que pagam pela tarifa. O restante são os isentos, como pessoas com mais de 65 anos.
Os passageiros da RIT utilizam 395 linhas, que realizam 20,7 mil viagens por dia e rodam 480 mil quilômetros. A frota é composta por 1.900 veículos (65% adaptados para portadores de deficiências). As empresas de ônibus e a Urbs renovaram 185 veículos em 2006 e 304 em 2007. Até dezembro deste ano, a expectativa é que sejam substituídos 293 ônibus.
O aumento não pode ser maior, justificou a Urbs, em razão da licitação para contratação das empresas de ônibus que deve ocorrer ainda este ano. O edital ainda está em fase de análise na prefeitura. A lei geral do Transporte Coletivo (número 12.597), sancionada em março deste ano, obriga o município a realizar a licitação. A prefeitura teria 90 dias para publicar o edital, prazo que já terminou. Após os novos contratos com as empresas, o crescimento da frota deve ocorrer, afirmou a assessoria de imprensa da Urbs.
A companhia comunicou que o número de passageiros do transporte coletivo despencou 18% entre os anos de 1997 e 2004, justificando que os aumentos sucessivos no preço da passagem afastavam os passageiros e geravam exclusão social. A partir de 2005, com a redução da tarifa, os usuários iniciaram um retorno às viagens pelo transporte coletivo. No ano passado, foram transportados 313 milhões de passageiros. Ainda não foi possível voltar aos níveis da década passada, quando esse número chegava perto de 350 milhões, informa o órgão.


