Superando o desafio do toque
Se Curitiba carrega a fama de abrigar moradores que não se sentem à vontade para conversar com estranhos, o que dizer, então, do fato de ser tocado por desconhecidos?
Um grupo de profissionais que depende do tato para exercer plenamente as atividades do cotidiano é formado pelos massoterapeutas. Pessoas como a professora Katren Pedroso, 29 anos, enfrentam diariamente o desafio de se aproximar e conquistar pelo toque das mãos a confiança de seus pacientes.
Ela admite que nem sempre é fácil. ''Até para mim era difícil no início. Acredito que seja algo cultural. Eu só me soltei mais depois que morei por quatro anos fora de Curitiba. Quando voltei, já me sentia mais à vontade para fazer os atendimentos'', reconhece Katren, que é também fisioterapeuta
Coordenadora de um curso técnico de massoterapia, ela recorda que, em algumas ocasiões, o paciente que busca o tratamento deita-se na maca e depois vai embora como se não tivesse sido estabelecido, ali, qualquer tipo de vínculo.
''Mas, isso é a exceção. Normalmente, as pessoas demonstram afeto após os atendimentos, me abraçam e até agradecem. O trabalho com as mãos é muito gratificante. O toque transmite energia e bem-estar'', afirma a professora.
Infelizmente, nem todos podem escolher o ''contato imediato'' a que vai se submeter. A doméstica Vânia Ferreira, 32 anos, moradora do Sítio Cercado, usa diariamente o transporte coletivo para ir ao trabalho, no Centro, e detesta o empurra-empurra que faz as pessoas se encostarem umas nas outras ainda que não queiram.
''Acho um absurdo. E ainda tem gente que se aproveita. Meu sonho é poder ir de carro, sozinha, sem ter ninguém encostando em mim. Mas, acho que não vou conseguir isso tão cedo''. lamenta. (L.X.)





