Embora não possa ser considerado uma síndrome, esse conjunto de fatores que provoca ansiedade e outras sensações desconfortáveis nessa fase do ano, deve ser observado com atenção. De acordo com o psicólogo Paulo Abreu, especialista em terapia comportamental, as pessoas que sentem-se à vontade no período de Natal e Ano-Novo devem aproveitar o momento.''Não é uma condenação à felicidade. A questão é que nem todos estão felizes, principalmente num país com tantas desigualdades'', ressalta o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que preside o Instituto de Análise Comportamental de Curitiba.
As pressões sofridas nesse período também podem ampliar problemas já existentes. ''Pessoas que têm um problema mais sério ou que estejam passando por algum transtorno de ansiedade ou alguma depressão, podem ter esses problemas exacerbados nessa fase, o que leva a um estresse muito grande'', destaca. Por isso mesmo, é preciso estar atento a sinais que podem revelar um nível alto de estresse. ''Se a pessoa passa a apresentar lapsos de memória, está mais desorganizada, sofre com insônia e gastrite, por exemplo, é hora de procurar tratamento'', observa o psicólogo.
Há, entretanto, quem supere o desafio de passar ileso pela ansiedade do fim do ano de outras formas. A pensionista Edith Moura, de 62 anos, também circulava pelo Centro carregando suas sacolas, mas, ao contrário da maioria, aguardava calmamente o sinal verde para atravessar a rua. ''Eu tenho fé em Deus, minha filha. Com isso fica muito mais fácil enfrentar essa confusão'', argumentava.
Já para o músico Odamir Bartholomeu, de 75 anos, que ficou duas décadas sem ter notícias da família, manter a esperança em dias melhores é a receita para espantar a depressão, principalmente nessa época de festas. Ele, que vive com outros 79 idosos no Recanto do Tarumã, é pandeirista e cantor do grupo ''Os Velhos Guris'', criado na instituição. ''Aqui é só alegria, temos muito o que fazer, e ainda saímos para as apresentações. Quando alguém fica triste, corremos para ajudar.''
O contagiante alto astral de ''Seu Odamir'' tem um motivo a mais desta vez: ele reencontrou a filha, soube que tem dois netos e que passará o Natal com eles. ''Estou muito feliz e procuro passar isso para os outros. Não devemos desanimar nunca'', ensina. (L.X.)

mockup