O olhar antropológico do sueco, que morou em Jaguariaíva (118 quilômetros ao norte de Ponta Grossa) e na Lapa (71 quilômetros a oeste de Curitiba), antes de se mudar para Itararé, cruzou com a Guerra do Contestado.
Ao se tornar funcionário da multinacional americana Southern Brazil Lumber & Colonization Company, a maior serraria da América Latina, em Três Barras (SC), ele acompanhou, no front, o levante dos revoltosos. Para a sua lente desfilou o messiânico monge João Maria, que os fiéis acreditavam voltaria a comandá-los após a morte em 1908.
O requinte técnico do sueco também fez com que uma procissão de rebeldes em União da Vitória, no Contestado, parecesse nunca acabar, aumentada pela fotografia esteroscópica.
Artistas circenses, sob uma lona estrelada de buracos, jovens da sociedade, ciganos, índios botocudos e oficiais encontraram em sua obra a eternidade das imagens.
Jansson, que fotografou a passagem do presidente norte-americano Theodor Roosevelt por União da Vitória, com destino a Buenos Aires, ainda registrou pessoas simples que cruzaram o olhar do seu cotidiano, como a curandeira Nhá Emídia, que morava numa gruta em Três Barras.
A convivência com a própria história não foi de rara beleza, como a sua obra, mas marcada por perdas, que começaram com a da mãe Christina Larsdotter, quando Jansson tinha nove anos de idade.
No país que adotou, Jansson se casou aos 21 anos de idade com Benedita Maria dos Santos Mattozo. Dois anos depois da morte da primeira mulher, o fotógrafo casou-se com a jovem sueca Eleonora Deflon, que conheceu na fronteira com a Argentina.
Jansson partiu para a sua última viagem em 1954, em Curitiba, onde está enterrado ao lado de Eleonora. Suas fotografias sobrevivem às batalhas que testemunhou, mostrando, até onde a história o permitiu, que revelasse a sua intimidade. (F.L.)

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