Aí, o delegado Motinha caiu num buraco. Que de tão profundo, mas tão profundo varou o globo terrestre e acabou no Japão. Depois de muito procura que procura, toda a cidade o deu como morto. Mas eis que de repente, para espanto de todos os cidadãos de Greenville, o delegado aparece de braços dados com uma japonesa linda. Ou seja, a ficção e absurdo trouxeram à tona uma grande revelação ao lado de um grande ator. Tudo isso aconteceu em 97, na novela ‘‘A Indomada’’.
E foi assim, ao lado de José de Abreu, o delegado Motinha, que o Brasil inteiro conheceu o talento de Cristie Miyamoto, a Mishiko. Resultado: a personagem alavancou a carreira dessa paranaense de Apucarana (Norte do Estado) que desde criança tinha inclinação para a vida artística. ‘‘Acho que isso se deve também às bênçãos do meu avô, Massahiro, que me erguia e falava: essa vai ser atriz, essa vai ser atriz’’, lembra Cristie.
Um bom estímulo. Mas a vocação não era vista com bons olhos pelo pai. ‘‘Ele sempre achou a profissão instável, mas hoje me apoia’’, diz ela. Mas o estrelato não aconteceu da noite para o dia. Formada em Educação Física pela Universidade de Ponta Grossa - onde passou em 1º lugar - primeiro ela tentou ser modelo.
Se deu bem, já que de seu currículo constam diversos títulos de miss. E foi num desses concursos que conheceu o ator Jayme Periard, que queria porque queria que ela fosse ao Rio de Janeiro fazer um teste. Precisou esperar. Em Curitiba - enquanto trabalhava de modelo e manequim - fez o curso de artes cênicas por três anos. Chegou até trabalhar em São Paulo mas, pelo jeito, as recordações não foram das melhores. ‘‘Morava na casa dos meus tios e tudo ficava longe. Tive anemia, emagreci. São Paulo é um mundo louco’’, lembra.
De volta a Ponta Grossa, Cristie abriu uma academia de ginástica. Depois de um tempo e também com a notícia de que seu irmão havia sofrido um acidente no Japão, arrendou o negócio e decidiu se tornar dekassegui. Inicialmente trabalhou numa gráfica. Era uma jornada de dezesseis horas diárias. ‘‘Você não tem idéia de quanto é duro. Coisas que eu não comia aqui passei a comer lá. Entendi a frase de quando se tem fome a gente come qualquer coisa’’, diz ela.
Em seguida, e já com o idioma dominado, ela foi trabalhar na Nihon Bailly Computer, grande empresa de computação. Podia estudar e trabalhar. Não tardou para que a tevê a fisgasse. Através de um concurso, foi contratada para fazer o comercial de um supermecado. Daí, vieram outros e outros convites. Um deles foi como apresentadora do programa Mix Brasil onde até encenou um texto seu: ‘‘O Gaijin e a Lata de Suco Mágico’’.

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